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Pesquisadores se tornam suas próprias cobaias em nome da ciência
 
Cobaia: Seth Roberts passou quase 30 anos conduzindo pequenos experimentos com ele mesmo, como esse teste de equilíbrio para estudar o efeito de ácidos graxos ômega-3 em sua coordenação.
Auto-experimentação – Capítulo 6

Psicólogo se livrou da insônia, da acne e dos pneuzinhos

Para Seth Roberts, o segredo da auto-ajuda está no método científico

Por J.R. Minkel

Quando Seth Roberts começou a sofrer de insônia no começo da década de 80, acordando cansado de manhã apenas para tirar um cochilo poucas horas depois, poderia muito bem encontrar alívio em suas pílulas para dormir. Mas isso não teria permitido que esse psicólogo experimental de Berkeley, Califórnia, tivesse a satisfação de passar a década seguinte tentando resolver o problema sozinho. Roberts é um adepto radical da auto-experimentação, e seu objeto experimental favorito é ele mesmo. Nas últimas três décadas, ele virou sua rotina de cabeça para baixo deliberadamente, introduzindo lentamente uma pequena mudança após a outra em sua alimentação e outros hábitos, enquanto registrava cuidadosamente os efeitos em seu peso, humor ou ciclo de sono. Apesar de não ter convencido ninguém de que seus métodos não são radicais demais, as vendas de seu best-seller indicam que as pessoas estão pelo menos atentas.

Roberts, de 54 anos, descobriu seu lado “rato de laboratório” quando ainda era aluno de graduação na Brown University em Providence, Rhode Island, onde tentava criar experimentos com roedores de verdade. Ele descobriu que se fazer de cobaia era muito mais fácil e rápido, e resolveu começar com sua acne. Ao contar diariamente suas espinhas, ele descobriu um creme de fórmula de manipulação que “limpou” sua pele, permitindo-o deixar do lado os antibióticos que vinha tomando.

E assim começou uma vida de tentativas sistemáticas e erro. Para curar a insônia, ele tentou praticar exercícios, tomar cálcio e até ajustar as lâmpadas fluorescentes perto de sua cama. “Aí percebi como era ignorante”, diz Roberts, cujo trabalho durante o dia é estudar o aprendizado de ratos na University of California, em Berkeley. No dia 2 de outubro de 1993, imaginando se o seu cardápio do café da manhã poderia ter alguma coisa a ver com a insônia, ele resolveu tomar café mais tarde, às 11 horas da manhã. Dentro de uma semana, o problema que havia amaldiçoado sua vida por anos estava resolvido. Três meses depois, ele voltou a tomar café às 7 da manhã, e a insônia voltou no dia seguinte.
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Leia também: a introdução, o primeiro, o segundo, o terceiro ,o quarto e o quinto capítulos da série.
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