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Artigos |
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| edição 71 - Abril 2008 |
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| Pesquisadores se tornam suas próprias cobaias em nome da ciência |
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Auto-experimentação – Capítulo 8
Químico psicodélico explora o lado surreal da mente com uma droga por vez
Alexander Shulgin enfrentou o governo americano, vômitos e paralisia em busca de compostos alucinantes
Por David Biello
Alexander Shulgin é o “psiconauta” mais à frente de seu tempo. O químico de 82 anos de idade não apenas criou mais de 300 compostos que alteram a consciência (ou seja, psicoativos), mas já experimentou, por conta própria, entre 200 e 250 dessas substâncias. A maior parte delas foi preparada em um laboratório bolorento atrás de sua casa nas montanhas a leste de Berkeley, na Califórnia, onde compartilhou várias viagens químicas com Ann, sua esposa há 26 anos.
“Eu experimentei tudo isso porque estou interessado na atividade dessas drogas na mente humana. Como você poderia testar isso em um camundongo, ou em um rato?”, pergunta Shulgin, conhecido pelos amigos como “Sasha”.
No entanto, ele pagou caro por essa vocação. Algumas de suas criações induziram vômito incontrolável, paralisia e a sensação de que seus ossos estavam derretendo, entre outros terrores. E embora algumas pessoas acreditem que Shulgin tenha aberto as portas da percepção para uma nova classe de compostos psicoativos potencialmente terapêuticos, outras argumentam que é dele a responsabilidade pelos danos que o abuso contínuo dessas substâncias ilícitas pode causar.
Quando estudava na University of California, em Berkeley, na década de 50, a primeira substância que Shulgin usou foi mescalina, uma droga psicodélica encontrada no peyote e outros cactos. “Ela me apresentou a cores novas que eu nunca tinha visto antes e me permitiu interpretar o que quer que eu visse com um vocabulário totalmente novo... E mesmo assim, que estrutura simples!”, lembra Shulgin.
No anos 60, quando trabalhava como químico na Dow Chemical Co., em San Francisco, ele não resistiu e resolveu brincar um pouco com a poderosa molécula da mescalina. Shulgin sintetizou compostos inteiramente novos que mantinham qualidades “viajantes” similares. Algumas variações eram menos potentes, mas outras eram ainda mais poderosas ou tinham seu próprio toque especial.
Shulgin, que saiu da Dow em 1965 para ser consultor do U.S. Drug Enforcement Administration (DEA), agência norte-americana de combate ao tráfico, ofereceu as melhores amostras de seu trabalho para Ann, sua segunda esposa; as mais promissoras foram distribuídas para um círculo de 10 amigos próximos até a metade da década de 90, quando o DEA, que tinha deixado de pagar por seus serviços, invadiu seu laboratório e revogou sua permissão para trabalhar com drogas ilegais. |
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