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Pesquisadores se tornam suas próprias cobaias em nome da ciência
Série em oito capítulos com experimentos no melhor gênero “faça em você mesmo” mostram as esperanças e perigos enfrentados pelos praticantes da auto-experimentação
por JR Minkel
Vai encarar? O ciberneticista Kevin Warwick diz que não seremos capazes de superar os robôs superinteligentes do futuro – e que é melhor estarmos prontos para nos juntar a eles.
Rápido: qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça ao ouvir a palavra “experimento”? Provavelmente você não pensou em um nobre italiano do século 16 que passou 30 anos em uma plataforma suspensa por uma grande balança de braço. Mas deveria ter pensado. Os historiadores da medicina consideram Santorio Santorio – conhecido como Santorio Santorii ou como Sanctorius de Pádua – o primeiro médico de que se tem notícia a submeter suas especulações teóricas ao rigor dos testes experimentais. Vivendo em uma balança, ele podia se pesar e comparar sua ingestão diária de alimentos e líquidos aos produtos da excreção, acabando por descobrir a transpiração.

Signore Santorio não foi o único na auto-experimentação a deixar sua marca na ciência. Sir Isaac Newton deixou uma marca na parte de trás das pálpebras, que quase o deixou cego aos 22 anos depois de ficar tempo demais olhando para o Sol refletido em um espelho – tudo isso para estudar as pós-imagens que a luz deixava em suas retinas. Os primeiros químicos eram conhecidos por provarem suas próprias destilações, um hábito que pode ter acabado cedo demais com a vida de Carl Wilhelm Scheele, químico germano-sueco do século 18 que descobriu o cloro e foi co-descobridor do nitrogênio e do oxigênio; Schelle morreu aos 44 anos supostamente de envenenamento por metais. E naquele que provavelmente é o caso mais famoso de auto-experimentação, o médico australiano Barry James Marshall bebeu o conteúdo de uma placa de Petri cheia de bactérias Heliobacter pylori, para demonstrar que o microorganismo causava úlceras. Marshall compartilhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2005 com J. Robin Warren por seu auto-experimento.

A prática é tão comum entre pesquisadores biomédicos que todas essas histórias dariam volumes e volumes de livros. Um bom ponto de partida é o livro Who Goes First? The Story of Self-Experimentation in Medicine, do médico e jornalista Lawrence Altman, publicado em 1987. Para dar uma pequena amostra da variedade de razões pelas quais um pesquisador (ou a filha de um pesquisador, ou até um documentarista) opta pela auto-experimentação, assim como os problemas éticos e de interpretação de dados que podem resultar do processo, Scientific American Brasil apresenta uma série de oito capítulos sobre alguns dos exemplos mais fascinantes do método auto-experimental de hoje.
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