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Pesquisadores se tornam suas próprias cobaias em nome da ciência
 
Os pernilongos do gênero Anopheles carregam o parasita que provoca a malária em suas glândulas salivares, que a Sanaria, empresa de Hoffman, coleta para produzir sua vacina.
Auto-experimentação – Capítulo 3

Especialista em malária usa o próprio braço como isca para pernilongos


Stephen Hoffman deu anos de suor – e muito sangue – em sua missão para erradicar esse assassino global

Por David Biello

Entre os milhares de pernilongos contaminados com malária que já picaram Stephen Hoffman ao longo dos anos, ele é mais grato a um grupo de 3 mil que fizeram um verdadeiro banquete em seu braço na metade da década de 90. Os pequenos vampiros tinham sido submetidos à radiação para enfraquecer os esporozoitos que carregavam de Plasmodium falciparum, parasita que provoca a malária. O resultado: ele se tornou imune à doença que mata pelo menos um milhão de pessoas por ano, a maioria crianças, na África Subsaariana e outros locais do mundo.

Infelizmente, seu caminho para a imunidade não funciona, pelo menos diretamente, para as 500 pessoas infectadas no mundo. “Não podemos imunizar as pessoas usando mosquitos. É totalmente impraticável,” explica Hoffman, executivo científico da Sanaria, Inc. em Rockvillle, no estado de Maryland, empresa fundada por ele para transformar esses esporozoitos em um tratamento eficaz.

Uma vez, Hoffman já pensou que estivesse bem próximo da vacina para a malária. Em meados da década de 80, ele fazia parte de uma equipe de médicos militares no Walter Reed Army Medical Center, que trabalhava para ligar proteínas da malária a moléculas reconhecidas pelo sistema imune. Eles esperavam que o sistema imune perseguisse as moléculas e, durante o processo, também atacasse o parasita, que geralmente permanece escondido no fígado ou nos glóbulos vermelhos. Os pesquisadores estavam tão confiantes que a vacina funcionaria logo após os experimentos iniciais que deixavam que mosquitos infectados os picassem imediatamente depois de receberem uma dose da primeira versão da substância.

No entanto, Hoffman descobriu que a vacina havia falhado quando foi acometido por um caso grave de malária 10 dias depois, durante uma viagem. Mesmo sofrendo com as febres altas, calafrios e vômito, ele teve que adiar o tratamento por vários dias para satisfazer as regras do ensaio clínico. “Você começa a pensar o que acontece quando as pessoas não são diagnosticadas”, lembra.
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