Artigos
  
edição 50 - Julho 2006
Preconceito implícito
Mahzarin Banaji mostra percepções distorcidas que raramente admitimos ter
por Mahzarin Banaji
Karen Dooher
Mahzarin Banaji brigava com o projetor de slides quando começaram a entrar no auditório os executivos do New Line Cinema - o estúdio de cinema de Los Angeles que produziu a trilogia Senhor dos anéis. Eles não pareciam muito animados. Haviam sido informados de uma palestra sobre diversidade que incluiria alguns vídeos. "Minha expectativa era de tédio total", admitiu Camela Galano, a presidente da empresa.

No intervalo, no entanto, amontoaram-se em torno da palestrante não só os executivos da New Line como também vários outros da HBO (ambas as empresas são subsidiárias da Time Warner). A psicóloga social da Universidade Harvard começara a palestra com uma série de imagens que denunciavam alguns truques da mente. Um dos vídeos mostrava um grupo de pessoas trocando passes de basquete. Dos 45 espectadores, apenas um percebeu a mulher que andava lentamente pelo meio do grupo carregando um guarda-chuva branco aberto. Depois de mais alguns exemplos, Banaji convenceu-os de que esse tipo de engano de percepção ocorre o tempo todo, sobretudo em atitudes inconscientes.

"É compreensível e racional", disse Banaji à platéia. "E é um erro." Segundo ela, nós até podemos querer ser justos, mas a mente trabalha a despeito de nossa vontade, fazendo conexões e ignorando informações contraditórias. De fato, em um teste rápido, os executivos rapidamente associaram palavras positivas à empresa à qual estão ligados, a Time Warner. Em contrapartida, tiveram dificuldades de fazer o mesmo em relação à Walt Disney - a principal concorrente. E ficaram espantados ao descobrir a mesma tendência em relação a faces humanas. Termos positivos foram associados às feições européias; os negativos recaíram sobre as de ascendência africana.

Banaji estuda atitudes implícitas e seus efeitos sociais desde o fim dos anos 80, quando foi trabalhar na Universidade de Washington com o grupo de Anthony Greenwald, o criador do primeiro teste de associação implícita (IAT, na sigla em inglês). Ele começou medindo a rapidez com que as pessoas apertavam teclas no computador em resposta a coisas que apareciam na tela. Como previsto, elas associavam palavras positivas, como "feliz" ou "paz", a imagens de flores; palavras negativas, como "podre" e "feio", perfilavam-se ao lado de insetos. O passo seguinte foi testar palavras e imagens associadas a etnias. Observou-se que as reações automáticas dos participantes não estavam de acordo com a postura que eles afirmavam ter. Dentre as metodologias usadas na pesquisa em psicologia social, "o IAT decolou rapidamente", recorda-se Greenwald.
1 2 3 »
Mahzarin Banaji Nascida na Índia e devota do zoroastrismo, ela diz que teve "muito mais liberdade que outras garotas indianas para conhecer os labirintos da mente". O dualismo que caracteriza a religião de origem persa hoje ressoa nas distinções entre bem e mal que a psicóloga propõe aos participantes das pesquisas.

Para lutar contra o próprio preconceito implícito, Banaji usa no computador protetores de tela que contrabalancem certos estereótipos sociais, como intelectuais negros e atletas do sexo feminino.
Veja aqui todos os artigos publicados neste site!