É sempre muito oportuno tecer considerações sobre a temática das relações entre a educação e o desenvolvimento cultural dos seres humanos. Nosso ponto de partida baseia-se em observações feitas pelo saudoso Roger Bastide (1898-1974).
Encarregado de um curso sobre sociologia educacional na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, mestre Bastide iniciou sua fala explicando que, ao ser indicado para o referido tema, vasculhou a pequena estante de livros de sua casa em São Paulo, à procura de uma obra especial, que servisse de apoio para preparar suas aulas. E, assim, pinçou da prateleira um dos trabalhos essenciais de Marcel Mauss, La sociologie des animaux.
Nesse trabalho o autor sublinhou que o homem é o único ser vivo do planeta capaz de retraçar a história da espécie, em tempos e espaços diferentes (e pode-se completar que a recuperação de fatos e valores culturais se adentra pela pré-história), enquanto os animais nunca puderam saber nada dos itinerários históricos de seus pares.
Roger Bastide nos explicava, com um ligeiro sorriso, que “as minhocas do Brasil não podem saber que existem parentes na África”... E que, apesar das atividades rotineiras e sociais de algumas espécies, “nunca houve a possibilidade de conhecer qualquer fato de seu desenvolvimento biológico e histórico”. |