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edição 117 - Fevereiro 2012
Restabelecimento do Bem-Estar Social
Para melhorar a saúde é preciso melhorar a educação, ter mais acesso a alimentos nutritivos e mais oportunidades econômicas
por Deborah Franklin
Ilustração de Tim Bower
Como prefeito da cidade de Kansas, Joe Reardon orgulha-se, e com razão, do Centro Médico da University of Kansas, que formou várias gerações de médicos e enfermeiros por mais de 100 anos. De acordo com uma avaliação popular de instituições de saúde, finalmente o centro médico vem sendo considerado o melhor centro hospitalar e de tratamento do estado do Kansas. Por isso, quando o prefeito Reardon – que dirige a administração da cidade e do município de Wyandotte, onde está sediado – se inteirou de que Wyandotte ocupava o último lugar entre os municípios do estado de acordo com uma análise rigorosa de medidas de saúde realizada em 2009, ficou chocado. “Temos acesso a uma assistência médica excelente, num estado onde alguns municípios praticamente não dispõem de nenhuma dessas unidades”, destaca o prefeito. “E ficamos em último lugar numa lista de 105 municípios?” Sua primeira reação foi: “como isso é possível?”.

Ele descobriu a resposta quando analisou as estatísticas que deram origem à reclamação. A proximidade de bons hospitais e médicos de primeira linha é somente um dos fatores – nem sempre o mais importante – que determinam a expectativa de vida da população e sua vulnerabilidade a doenças graves. Evidências coleta coletadas por especialistas em saúde pública ao longo das últimas décadas mostraram que razões menos óbvias, incluindo alimentação e exercícios adequados, níveis mais altos de escolaridade, bons empregos, maior segurança nos subúrbios e apoio constante das famílias e amigos, produziam uma melhoria considerável, mas nem sempre valorizada, na saúde e bem-estar da população. Estudos demonstram que um caso adverso que apareça em qualquer dessas áreas pode comprometer a saúde das pessoas, como indivíduos ou como comunidades – mesmo com acesso a assistência médica de qualidade.

A meta do projeto de Avaliação da Saúde do Município – que resultou na baixa avaliação da saúde em Wyandotte, mas em grandes elogios pelo seu comprometimento em promover mudanças – foi trazer à tona esses fatores subliminares da saúde e assim ajudar políticos, líderes civis e grupos comunitários a realizar ações concretas que possam melhorar a saúde da população local. A iniciativa partiu da University of Wisconsin, em Madison, que avaliou apenas esse estado em 2003. Um projeto similar foi implantado no Kansas em 2009, e em 2010 a Fundação Robert Wood Johnson, em Princeton, Nova Jersey, forneceu a verba necessária para que a University of Wisconsin pudesse ampliar as investigações e comparar municípios entre estados de toda a federação.

Entre os maiores problemas identificados na Prefeitura de Wyandotte, por exemplo, estavam o número muito acima da média de fumantes e obesos, número abaixo da média de alunos matriculados em universidades, porcentagem assustadora de bebês nascidos com desnutrição e uma relativa escassez de frutas e verduras frescas em mercados em comparação com o resto do estado. O prefeito Reardon acredita que essas medidas já transformaram sua abordagem das prioridades orçamentárias. As mudanças incluem destinar verbas para incluir programas de acompanhamento escolar de alunos do ensino médio, novos parques e calçadões e abertura de mais e melhores supermercados e jardins comunitários em bairros mais pobres. E esse é só o começo, garante o prefeito. “A medida do sucesso da nossa cidade não se baseia apenas no número de empregos criados, mas também na saúde dos cidadãos.”
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Deborah Franklin escreve sobre ciência e medicina no New York Times, Fortune e Health Magazine e para a National Public Radio (organização sem fins lucrativos que distribui sua programação para quase 800 emissoras de rádio públicas nos Estados Unidos).
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