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Resumo de fatos sobre a radiação em Fukushima

Níveis elevados de radiação foram detectados na estação de energia nuclear atingida pelo terremoto e tsunami no Japão, mas o acidente em Chernobyl permanece muito mais catastrófico

WIKIMEDIA COMMONS
Por John Matson
Desde que um terremoto de magnitude 9 sacudiu o Japão e desencadeou um gigantesco tsunami em 11 de março, a Tokyo Electric Power Co. (Tepco) tem se esforçado para impedir um desastre nuclear. A estação nuclear Daiichi em Fukushima, que abriga seis reatores nucleares, foi palco de explosões em três reatores e um incêndio em um tanque de combustível irradiado num quarto reator. Suspeita-se que em dois reatores, unidades 2 e 3, os vasos em que está confinado o material nuclear estejam comprometidos.

Parte dos trabalhadores da usina permanece no local, implementando medidas de resfriamento de emergência nos reatores atingidos. Os níveis de radiação têm flutuado drasticamente durante a crise, e a extensão dos danos à saúde dos trabalhadores tem sido limitada, em comparação com o desastre de Chernobyl, na Ucrânia em 1986, um evento explosivo que causou dúzias de casos de envenenamento fatal por radiação entre os funcionários da usina e que tem sido implicado em milhares de diagnósticos de câncer de tiróide nos anos que seguiram. A fissão nuclear do combustível de urânio produz iodo radiativo, que se concentra na glândula tiróide.

Abaixo, alguns fatos e números sobre o perigo de radiação representado pelo colapso de Fukushima e como se situa em comparação com outros acidentes nucleares na história. Muitas dessas cifras são medidas em millisieverts, unidade internacional de dosagem de radiação. (Um sievert é igual a 100 rems, que é a unidade de dosagem de exposição a raios-X e raios gama; 1 millisievert é igual a 0,1 rem.)

Dosagem de radiação nos limites da estação nuclear Daiichi em Fukushima em 16 de março: 1,9 millisieverts (mSv) por hora

Pico da dose de radiação medida dentro da estação Daiichi em Fukushima em 15 de março: 400 mSv por hora

Exposição máxima a radiação permitida para trabalhadores nos Estados Unidos: 50 mSv por ano

Média de exposição de residentes americanos a fontes de radiação natural e artificiais: 6.2 mSv por ano

Cálculo da exposição total nos limites do complexo de Three Mile Island, na Pensilvânia, durante o acidente de 1979: 1 mSv ou menos

Dose total de radiação para os 114500 indivíduos retirados da região durante o desastre de Chernobyl em 1986: 31 mSv

Meia-vida do iodo 131, perigoso isótopo radiativo liberado em acidentes nucleares: 8 dias

Meia-vida do césio 137, outro importante radionuclídeo [núcleo atômico radiativo, existente na natureza ou obtido artificialmente em reator nuclear], liberado em acidentes nucleares: 30 anos
Produtos de decaimento do iodo 131 e do césio 137: ambos emitem raios gama e partículas beta (elétrons ou pósitrons)

Quantidade de combustível nuclear no reator No 4 de Chernobyl que explodiu em 1986: 190 toneladas métricas

Quantidade de combustível nuclear e subprodutos de fissão liberados na atmosfera durante o desastre de Chernobyl: 25 a 57 toneladas métricas

Quantidade aproximada de combustível nuclear em cada reator danificado na usina Daiichi em Fukushima: 70 a 100 toneladas métricas

Fontes:Fórum Industrial Atômico do Japão, Agência Internacional de Energia Atômica, Comissão Regulatória Nuclear dos Estados Unidos, Conselho Nacional sobre Proteção e Medidas contra Radiação, Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, Comissão Científica das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica, Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, Instituto de Energia Nuclear