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Artigos |
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| edição 118 - Março 2012 |
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| Tripulação no Convés |
| Voluntários vasculham diários de bordo de navios da época da Primeira Guerra para ajudar pesquisadores a preencher lacunas nos registros climáticos |
| por Kalee Thompson |
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Ilustração de Mark Weaver |
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Kathy wendolkowski costumava fazer doces nas horas de folga. Nos últimos 18 meses, a mãe de três filhos, que vive em Gaithersburg, Maryland, passou de duas a três horas por dia no site Old Weather (www.oldweather.org), onde transcreveu registros de temperatura, pressão e velocidade do vento que constam em diários de bordo do HMS Foxglove – um caça-minas britânico que patrulhava o Pacífico Sul nos anos que se seguiram à Primeira Guerra. Foi um amigo historiador naval que mencionou o site logo depois de ter sido lançado, em outubro de 2010, conta Kathy. Ela imediatamente entusiasmou-se, não pelos verdadeiros dados climáticos, mas pelas narrativas das viagens e tripulação do Foxglove, uma história que acompanha as leituras sistemáticas do termômetro nos registros cotidianos do diário de bordo.
Old Weather (clima do passado) é uma das iniciativas on-line que reúnem milhares de “cientistas voluntários” para ajudar os pesquisadores a garimpar dados que de outra forma não seria possível levantar, ressalta Philip Brohan, um paleoclimatologista inglês que lidera o projeto. O cientista estima que um profissional levaria 28 anos para transcrever todos os dados, uma tarefa que os voluntários do Old Weather concluíram nos primeiros seis meses do projeto. Brohan acredita que essas transcrições são valiosas para pesquisadores como ele, que analisam dados do passado para prever como será o clima no futuro. “Sempre que ocorre uma grande tempestade, as pessoas perguntam: Isso teria acontecido se o homem não tivesse alterado o clima? É um acontecimento novo e raro ou é o tipo de coisa que já aconteceu antes? Se quisermos responder perguntas como essa precisamos entender o comportamento do clima no passado”, reforça o pesquisador.
Inúmeros arquivos distribuídos pelo mundo contêm amplos registros do clima feitos a bordo de navios, expedições científicas e estações de pesquisa nas antigas colônias, mas extrair esses dados – geralmente escritos manualmente com caligrafia pouco compreensível, difícil de ser lida pelo computador – tem sido considerado uma missão quase impossível. Mas, em 2009 Brohan conheceu o astrônomo Chris Lintott, um dos fundadores do Galaxy Zoo, uma iniciativa on-line pioneira, que na versão original recrutava internautas para classificar centenas de milhares de imagens de galáxias elípticas (em forma de aeróstato) ou espirais (em forma de redemoinho). Ambos perceberam que a abordagem da ciência do cidadão que funcionava na astronomia poderia ser usada também nas ciências climáticas. Eles conseguiram financiamento do Conselho Britânico de Pesquisas e o Old Weather foi criado.
O site foi lançado com 4 mil diários de bordo – cerca de 250 mil dias de dados registrados em navios – de 256 embarcações da Marinha Real Britânica que navegaram durante e depois da Primeira Guerra, um período escolhido, em parte, devido à escassez de dados climáticos (a guerra interrompeu esses registros). Os visitantes do site se inscrevem, escolhem um navio e recebem uma página do diário. Eles transcrevem os dados em caixas de diálogo que se abrem automaticamente, da mesma forma como se preenche um formulário on-line, clicam em “encerrar” e, em seguida, passam para os registros do dia seguinte. Cada página é transcrita por três voluntários diferentes, para eliminar erros ocasionais. O conjunto completo de dados é incluído nos registros mantidos pela Agência Nacional da Atmosfera e Oceano (NOAA, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, onde ficam disponíveis para os cientistas do mundo todo. Brohan acredita que se tivermos um quadro abrangente do clima nos últimos 200 anos poderemos contextualizar o clima atual. “E poderemos testar os grandes modelos que construímos para prever mudanças climáticas no futuro”, acrescenta. |
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| Kalee Thompson escreve sobre ciência como free-lancer e é autora de Deadliest sea: The untold story behind the greatest rescue in coast guard history (William Morrow, 2011) (Mar implacável: A história não contada do maior resgate da história da guarda costeira). |
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