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Artigos |
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| edição 33 - Fevereiro 2005 |
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| Uns mais iguais do que os outros |
| No mundo quântico, a idéia de que os objetos são indivíduos é falaciosa |
| por Adonai S. Sant´Anna |
Considere uma caixa na qual existe uma grande coleção de bolas de bilhar, todas com tamanho, cor e massa iguais. Batize uma bola qualquer dessa coleção de Napoleão. Em seguida, coloque-a de volta na caixa e a agite por bastante tempo. Se você escolher novamente uma bola da caixa, como saber se ela é Napoleão? Existem pelo menos duas maneiras de resolver esse problema. Uma é marcar a bola com tinta. Outra opção é seguir sua trajetória. Essas duas soluções são possíveis porque podemos considerar que bolas de bilhar são indivíduos, pois são passíveis de ser rotuladas. O mesmo vale para inúmeros objetos materiais que conhecemos. No entanto, no que se refere a partículas elementares que formam matéria ou campos, como elétrons, prótons e fótons, a situação muda totalmente.
Se, por exemplo, um átomo de sódio é excitado pelo acréscimo de um elétron e, ao voltar ao seu estado fundamental, libera outro elétron, não há como saber se a partícula liberada é a mesma que energizou o átomo. Isso porque é fisicamente impossível pintar elétrons ou seguir suas trajetórias.
O que sugere a possibilidade de que as partículas elementares do mundo quântico não sejam bolas de bilhar, no sentido de não serem providas de individualidade. Na verdade, é muito importante que o físico considere a existência de coleções de partículas elementares completamente indistinguíveis entre si. Caso contrário, ele não conseguirá descrever matematicamente certos dados experimentais consagrados.
Um dos problemas emergentes dessa característica é determinar se a impossibilidade de distinguir partículas se deve a uma limitação de nosso conhecimento ou é uma propriedade intrínseca dos objetos do mundo quântico. No primeiro caso, seremos obrigados a considerar a existência de propriedades da matéria e dos campos que vão além do que se observa em laboratório, o que pode implicar uma complexa descrição metafísica das partículas que formam o mundo em que vivemos. No segundo caso, teremos de rever a matemática que descreve o mundo quântico, pois nela não há espaço para coleções de múltiplos objetos indistinguíveis. |
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