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15 de dezembro de 2008
A estranha doença que está matando morcegos
Pesquisadores buscam outras causas além da síndrome do nariz branco, considerada a suspeita número um das misteriosas mortes de morcegos
por Larry Greenemeier
Cortesia de Nancy Heaslip, Departamento de Conservação Ambiental de Nova York
Síndrome do nariz branco: Pequenos morcegos marrons hibernando em uma caverna em Nova York. A maioria dos morcegos apresenta crescimento de fungos nos focinhos.
Habitantes dos arredores de Albany, Nova York, começaram a notar um comportamento estranho dos morcegos há pelo menos dois anos: bandos dos mamíferos, normalmente notívagos, eram vistos em vôos rápidos em pleno dia, no inverno, quando deveriam estar hibernando em cavernas por causa do frio.

O Departamento de Preservação do Meio-Ambiente do estado juntou-se ao Serviço de Levantamento Geológico Americano (USGS em inglês) para investigar o comportamento e fez uma descoberta alarmante: a população de morcegos em todo o nordeste dos Estados Unidos: Connecticut, Maine e Vermont havia diminuído cerca de 97% nas grutas da região. Os sobreviventes, raquíticos, podiam ser vistos pendurados junto à entrada das grutas onde normalmente é muito frio para permanecerem todo o inverno. A única pista para o misterioso fenômeno era um tipo de pó branco sobre o focinho, orelhas e asas de morcegos mortos e moribundos.

Os cientistas começaram então a associar a morte de mais de 100 mil morcegos menores de espécies diversas ─ marrons, morcegos do Norte, morcegos tricolores, morcegos Indiana, Myotis de pés pequenos, além de morcegos marrons maiores do nordeste dos Estados Unidos ─ a uma doença que chamaram de “síndrome do nariz branco.” Os pesquisadores suspeitam que desde o inverno de 2006, essa doença pode ter contribuído para o acentuado declínio das populações de morcegos em muitas grutas dos estados atingidos; nos casos mais graves, cerca de 1.750 a 1.800 mamíferos voadores foram encontrados mortos. A redução dos morcegos em muitas grutas de hibernação pesquisadas ultrapassou os 75%.

“Se essa conclusão fosse aplicada a toda a região (nordeste americano) poderia chegar a 200 mil morcegos mortos e talvez ainda mais”, ─ observa David Blehert, microbiologista do USGS e autor principal do trabalho sobre a síndrome publicado na Science recentemente.
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