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07 de fevereiro de 2008
A falta de sono pode provocar distúrbios psiquiátricos?
Estudo mostra que a privação de sono resulta na reprogramação do circuito emocional do cérebro
por Nikhil Swaminathan
EMOÇÕES DO DIA SEGUINTE: Um novo estudo mostra que, quando não dormem as pessoas ficam mais propensas a agir de forma exageradamente emocional e irracional, uma descoberta que sugere que o sono pode ter uma participação em vários distúrbios psiquiátricos.
Não há dúvida de que as pessoas precisam dormir: estudos já associaram a falta de descanso a tudo, desde distúrbios no sistema imunológico até insuficiência cognitiva para controlar o peso.

Na verdade, o psicólogo Matthew Walker, da University of California em Berkeley, afirma que “quase todos os distúrbios psiquiátricos apresentam algum tipo de problema relacionado ao sono”. Mas, segundo ele, os cientistas anteriormente acreditavam que os problemas psiquiátricos levam a dificuldades para dormir. Entretanto, uma pesquisa realizada por seu laboratório sugere que, na verdade, o que acontece é o contrário; ou seja, a falta de descanso está causando transtornos psicológicos.

A equipe de Walker e colaboradores da Harvard Medical School chegaram a essas conclusões, publicadas no Current Biology, após trabalharem com 26 alunos saudáveis, com idades entre 24 e 31 anos. Parte deles passou uma noitada em claro; a outra teve uma boa noite de descanso.

Entre os voluntários, 14 passaram 35 horas diretas sem descanso antes de serem examinados em um aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI), onde o cérebro de cada um foi acompanhado enquanto observavam um conjunto de 100 imagens cada vez mais perturbadoras à medida que eram exibidas. As primeiras eram fotos de uma cesta de vime vazia em cima de uma mesa; no entanto, as cenas mudavam à medida que a série progredia para cenários mais assustadores, como uma tarântula nos ombros de uma pessoa e, finalmente, imagens de vítimas de queimadura e outras visões traumáticas.

Os pesquisadores monitoraram, principalmente, a amígdala, estrutura do mesencéfalo que decodifica as emoções, e perceberam que os grupos de voluntários apresentavam parâmetros similares de atividade ao observarem imagens inofensivas. Mas à medida que as cenas se tornavam cada vez mais apavorantes, a amígdala dos participantes privados do sono se agitava, apresentando 60% mais atividade em relação à reação da população normal. Além disso, os pesquisadores notaram que cinco vezes mais neurônios na região estavam transmitindo impulsos no cérebro daqueles que não dormiram.
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