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26 de abril de 2010
A internet nos fará mais estúpidos?
Não: segundo pesquisa do Pew, o uso da rede vai beneficiar a capacidade de raciocínio
por Mark Fischetti
iStockPhoto/joshblake
Em 2000, poucas pessoas teriam previsto que, após 10 anos, o Facebook teria uma presença massiva na internet. Sem temer riscos de prognósticos, o Pew Research Center´s Internet e American Life Project recentemente pediram a cerca de 900 profissionais de tecnologia que imaginassem a internet em 2020.

Especificamente, o projeto apresentado para os profissionais tinha dez declarações opostas, forçando-os a escolher cinco e, em seguida, explicar por que fizeram essa escolha. Por exemplo, uma das declarações era a seguinte: em 2020, o uso popular da internet aprimorou a inteligência humana, já que, por terem acesso sem precedentes a informações, as pessoas tornam-se mais inteligentes e podem escolher melhor. Ou esta: em 2020, o uso popular da internet não melhorou a inteligência humana, e poderia até mesmo reduzir o QI da maioria das pessoas que a usam com frequência.

Cerca de 76% dos entrevistados disseram que a internet nos tornaria mais inteligentes. Certo, mas por que? É onde os resultados tornam-se mais interessantes, observou o diretor do projeto, Lee Rainie, que apresentou os resultados na American Association for the Advancement of Science, reunião anual que aconteceu em San Diego. Rainie disse que a análise da pesquisa indicou que os entrevistados acreditam que o uso cada vez maior da internet mudará as capacidades cognitivas das pessoas. Elas vão gastar menos energia mental memorizando fatos e mais energia do cérebro sintetizando informações e pensamentos críticos.

Outras duas afirmações se referiam à questão sobre se a qualidade de leitura e escrita iria melhorar. Inicialmente, Rainie se surpreendeu ao descobrir que 65% optaram por "sim", já que maneiras como as famosas SMS, “twitadas” e outros meios de mensagens destroem qualquer idioma. Os entrevistados pareceram concordar que as mensagens virtuais incentivam as pessoas a ler mais e, sobretudo, a escrever mais, fazendo com que os usuários possam, gradualmente, começar a criticar hábitos da utilização da “má linguagem”, melhorando os hábitos lingüísticos da sociedade.

Outra declaração era sobre o quanto “aberta” a internet pode ficar. Um terço dos entrevistados considerou que até 2020 estaria em vigor um maior controle, o que violaria um princípio fundamental da rede. Os entrevistados citaram acontecimentos recentes, como o embate entre o governo chinês e o Google sobre a origem e a intenção de ataques cibernéticos, e também achavam que os usuários poderiam até aceitar algum grau de restrições, caso achassem que essas medidas ajudariam a evitar males potenciais, como roubo de identidade, por exemplo.
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