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A Lua é mais velha do que os cientistas pensavam

A formação ocorreu há 4,51 bilhões de anos, milhões de anos mais cedo do que anteriormente previsto

NASA/Alan Shepard
O astronauta Edgar Mitchell, da missão Apollo 14, anda pela superfície Lunar

Uma equipe de pesquisa liderada pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) reportou que a Lua tem ao menos 4,51 bilhões de anos, ou seja, é de 40 a 140 milhões de anos mais velhas do que os cientistas acreditavam anteriormente.

As descobertas — baseadas em análises de minerais da Lua chamadas zirconitas trazidos   para Terra pela missão Apollo 14 em 1971 —  foram publicadas no dia 11 de janeiro na revista científica Science Advances.

A idade da Lua é um assunto polêmico e amplamente debatido, ainda que os cientistas tenham tentado resolver a questão por muitos anos, utilizando inúmeras técnicas.

"Nós finalmente determinamos uma idade mínima para a Lua; já era tempo de sabermos sua idade e, agora, sabemos,” afirma Mélanie Barboni, autora principal do estudo e pesquisadora geoquímica do Departamento de Ciências Planetárias, Espaciais e da Terra da UCLA.

A Lua foi formada por uma colisão violenta entre a Terra recém formada e um “embrião planetário” chamado Theia, reportou uma equipe-líder de geoquímicos da UCLA e colegas em 2016.

A nova pesquisa implica que a Lua tenha se formado ‘’apenas’’ 60 milhões de anos depois do nascimento do nosso Sistema Solar — um ponto importante porque fornece informações cruciais para astrônomos e cientistas planetários que buscam entender a evolução primária da Terra e do nosso Sistema Solar.

Essa tem sido uma tarefa difícil, afirma Barboni, porque “o que quer que tenha existido antes do impacto, foi apagado.” Ainda que os cientistas não saibam o que ocorreu antes da colisão com o Theia, essas descobertas são importantes pois ajudarão os pesquisadores a compor o quebra-cabeças dos eventos enormes que vieram depois disso.

Geralmente é difícil determinar a idade de pedras lunares porque a maioria delas contêm fragmentos variados de múltiplas outras pedras. Mas Barboni conseguiu analisar oito zirconitas intactas. Especificamente, ela examinou como o urânio que elas continham havia decaído para chumbo (em um laboratório da Universidade de Princeton) e como o lutécio havia decaído para um elemento chamado háfnio. Os pesquisadores analisaram todos esses elementos juntos para determinar a idade da Lua.

"Zirconitas são os melhores relógios da natureza,” afirmou Kevin McKeegan, professor de geo e cosmoquímica da UCLA e coautor do estudo. “Elas são os melhores minerais quando se trata da preservação da história geológica e da revelação de onde elas se originaram.”

A colisão de Theia com a Terra criou uma lua líquida, que depois se solidificou. Cientistas acreditam que a maior parte da superfície da Lua ficou coberta de magma logo depois da formação. As medições de urânio-chumbo revelaram quando as zirconitas apareceram pela primeira vez no oceano de magma da Lua, que depois se resfriou e formou o manto e a crosta da Lua; as medidas de lutécio-háfnio revelaram quando o magma se formou, o que aconteceu antes.

"Mélanie foi muito esperta em descobrir que a idade real da Lua é datada desde de sua pré-história, antes da solidificação, não a partir dela,” afirma Edward Young, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA e coautor do estudo.

Estudos anteriores concluíram a idade da Lua baseando-se em pedras lunares que haviam sido contaminadas por várias colisões. McKeegan afirma que essas rochas indicavam a data de alguns outros eventos, “mas não a idade da Lua.”

Os pesquisadores da UCLA continuam pesquisando as zirconitas trazidas pelos astronautas da missão Apollo para estudar o início da história da Lua.

Universidade da Califórnia em Los Angeles
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