Notícias
  
26 de março de 2008
A mudança climática depois de Bali
Façamos as contas: novas tecnologias com preços acessíveis podem evitar o aquecimento global e promover o crescimento
por Jeffrey Sachs
BRUCE GILBERT/EARTH INSTITUTE; MATT COLLINS
O acordo feito em Bali no último mês de dezembro, para iniciar uma negociação de dois anos a respeito da mudança climática, foi uma boa notícia, um raro exemplo de cooperação internacional em um mundo aparentemente preso a uma espiral de conflitos. Os cínicos podem dizer que a única conquista foi um acordo para conversar mais sobre o assunto, e seu cinismo pode vir a se confirmar. Ainda assim, a crescente compreensão de que medidas sérias de controle climático são possíveis a custos modestos é bem-vinda.

A aritmética está ficando mais clara. Se as nações ricas continuarem a ter renda crescente e as pobres sistematicamente reduzirem a desigualdade através do desenvolvimento bem-sucedido, por volta de 2050 a economia global poderá ter crescido seis vezes e o uso de energia, perto de quatro vezes. As emissões antropogênicas atuais de dióxido de carbono (CO2) giram em torno de 36 bilhões de toneladas por ano, das quais 29 bilhões são resultado da queima de combustíveis fósseis e processos industriais, e outros 7 bilhões, aproximadamente, são decorrentes do des-matamento tropical. Grosso modo, cada 30 bilhões de toneladas de emissões aumentam os níveis de CO2 em cerca de duas partes por milhão (ppm). A concentração atmosférica atual do CO2 está próxima de 380 ppm, tendo partido de 280 ppm no início da era industrial, em 1800. Assim, para atingir 440 ppm na metade do século – nível plausivelmente “seguro”, em relação a suas prováveis conseqüências para a mudança do clima, mas apenas 60 ppm maior que o nível atual – as emissões cumulativas precisariam se manter em cerca de 900 bilhões de toneladas, ou algo como 21 bilhões de toneladas por ano, em média, até 2050. Essa meta pode ser atingida com o fim do desmatamento – em termos líquidos – e um corte de um terço nas atuais emissões resultantes de combustíveis fósseis.

Aqui está o desafio. Será possível que a economia mundial utilize quatro vezes mais energia primária ao mesmo tempo que diminui as emissões em um terço?
1 2 »
Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia (www.earth.columbia.edu).
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!