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Voyager 1 contraria previsões e permanece na heliosfera

Atualmente a 18,3 bilhões de quilômetros do Sol, a sonda é o artefato que chegou mais longe

John Matson
NASA/JPL-Caltech
Diagrama dos campos magnéticos solares (setas brancas) e interestelares (setas negras) em relação à Voyager 1 (acima) e a Voyager 2 (abaixo) na fronteira da heliosfera
A Voyager 1 está indo, indo... mas ainda não foi.

A viajada sonda da NASA, lançada em 1977, está indo para fora da heliosfera, a bolha flutuante no espaço inflada pelo plasma que sai do Sol. Há anos a Voyager 1 se aproxima da heliopausa – a borda externa da heliosfera – onde o vento solar se encontra com o meio interestelar. Mas apesar de pistas intrigantes do contrário, a sonda ainda permanece na heliosfera, anunciaram os cientistas da missão. Em vez de fazer o avanço sem precedentes para o meio interestelar, parece que a Voyager 1 descobriu outra ruga na estrutura de nosso ambiente espacial, uma espécie de autoestrada magnética ligando a heliosfera ao que jaz além.

“A Voyager descobriu uma nova região da heliosfera que não tínhamos percebido”, declarou Ed Stone, cientista de projetos da Voyager, do California Institute of Technology, em uma teleconferência em 3 de dezembro. “Parece que ainda estamos do lado de dentro. Mas agora o campo magnético está conectado ao lado de fora. Então é como uma autoestrada que deixa as partículas entrarem e saírem”.

A Voyager 1 entrou na nova região em agosto, repentinamente registrando uma enorme queda no número de partículas solares de baixa velocidade em seu ambiente e um salto correspondente no número de partículas de raios cósmicos de energias mais altas chegando do exterior do sistema solar. “É como se alguém tivesse aberto as comportas e toda a água fosse rio abaixo”, comparou Tom Krimigis do Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins University. “E alguns barqueiros viajando rio acima perto da velocidade da luz tivessem finalmente conseguido entrar”.

Apesar do repentino influxo de partículas de raios cósmicos, a equipe concluiu que a Voyager 1 ainda está dentro da heliosfera porque o magnetômetro da sonda ainda não registrou uma mudança na direção do campo magnético, como seria esperando ao cruzar a fronteira do plasma do Sol para o meio interestelar. “Se tivéssemos examinado apenas os dados das partículas, teríamos dito ‘Bom, saímos. Adeus, sistema solar’”, explicou Krimigis. Mas a natureza é muito imaginativa, e a Lucy levantou a bola de futebol mais uma vez”. [NT: Uma referência à tirinha Charlie Brown na qual a personagem citada engana o protagonista]

Atualmente a Voyager 1 está a 18,3 bilhões de quilômetros do Sol, mais distante do que qualquer objeto já feito pela Humanidade. Ela está tão distante que os sinais de rádio demoram 34 horas para ir (enviar um comando, por exemplo, e então receber confirmação de que o comando foi aceito) da Terra à Voyager, e de volta outra vez [Uma referência ao título de O Hobbit – There and back again]. Mesmo assim, ninguém sabe quanto a Voyager 1 ainda pode ter que viajar antes de atravessar a heliopausa e entrar no meio interestelar. “Ainda pode levar vários meses, ou vários anos”, observou Stone. 
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