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A Terra está a salvo do asteroide Bennu?

A missão OSIRIS-REx, da Nasa, revelará o quão ameaçador ele pode ser

Conceito artístico da OSIRIS-REx no asteroide Bennu. Crédito: NASA/Goddard/Chris Meaney

Mike Wall e SPACE.com

 

A nova missão de coleta de amostras da Nasa fará várias coisas interessantes, mas ajudar a humanidade a se preparar para a destruição iminente da Terra não é uma delas.

Existe, de fato, uma chance que o asteroide de 500 metros de largura chamado Bennu — alvo da missão OSIRIS-REx, da Nasa, agendado para lançamento no próximo mês  — atinja a Terra no final do século 22. 

Mas os responsáveis pela missão ressaltam que  a chance de que isso ocorra é pequena. E a rocha espacial não é grande o suficiente para oferecer uma ameaça à existência do planeta, apesar do que informaram alguns veículos recentemente.

"Não estamos falando de um asteroide que poderia destruir a terra,” afirmou o cientista chefe da OSIRIS-REx, Dante Lauretta, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona.  "Nós não estamos nem perto desse tipo de energia para um impacto.”

 

Coletando amostras de um asteroide

Se tudo sair como planejado, a OSIRIS-REx (Explorador de Origens, Interpretação Espectral, Identificação de Recursos, Segurança, Regolito), missão de US$ 800 milhões, levantará voo em cima de um foguete Atlas V da United Launch Alliance, no dia 8 de setembro, na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida.  

Ela passará dois anos seguindo o Bennu, finalmente encontrando-se com ele em agosto de 2018. Daí, a OSIRIS-REx estudará o asteroide em órbita por mais dois anos antes de coletar pelo menos 60 gramas de material da superfície em julho de 2020.

A equipe da missão está interessada, principalmente, em entender o papel que asteroides como o Bennu, — escuros, primitivos e aparentemente ricos em cabono — possam ter tido em auxiliar a vida a se estabelecer na Terra, disse Lauretta.

"Será que esses corpos forneceram material orgânico e água, em forma de minerais hidratados, como argila, para a superfície do nosso planeta, criando a habilidade e o ambiente que levaram às origens da vida?” Lauretta questiona.

"Essa é a missão principal,” investigar essa pergunta, ele acrescentou.

Também existem objetivos secundários, como aprender mais sobre recursos valiosos que asteroides como o Bennu podem abrigar, afirmou Lauretta. E então entra o ângulo de defesa planetária, que recebeu muita atenção nos últimos dias.

 

Um asteroide potencialmente ameaçador

O Bennu é classificado oficialmente como um asteroide potencialmente perigoso. De fato, existe uma chance de 0,037% (ou uma chance em 2,700) de ele atingir a Terra no último quarto do século 22, segundo os cálculos dos cientistas da Nasa.

Especificamente, essa é a probabilidade de que, durante um voo próximo a Terra em 2135, Bennu vai passar por uma das regiões do espaço que os estudiosos classificam como “buracos de fechadura”, onde, devido à atração gravitacional de outros corpos,  sua órbita sera alterada, e ele seguirá para uma rota de colisão com nosso planeta posteriormente naquele século.

OSIRIS-REx ajudará os cientistas a refinar essa probabilidade, já que aperfeiçoará o entendimento que têm sobre a órbita de Bennu. (Essa órbita, aliás, já é a órbita mais bem conhecida de um asteroide, disse Lauretta; graças à extensas observações feitas desde que ele foi descoberto, em 1999, astrônomos conseguiram definir o raio orbital do Bennu com uma precisão de 6 metros.)

"Nossas incertezas diminuirão, então nós conseguiremos recalcular a probabilidade do impacto,” disse Lauretta. “Nós não sabemos em que direção ele irá seguir. Pode ser que vá pra baixo, porque nós acabamos de descartar uma porção de possíveis ‘buracos de fechadura’ que o Bennu poderia cruzar. Ou pode ir pra cima, porque na área restante nós temos uma maior concentração de ‘buracos de fechadura’, em comparação com a área geral.”

O trabalho da OSIRIS-REx também ajudará os cientistas a entender melhor o efeito Yarkovsky, que explica como a luz solar absorvida e depois irradiada na forma de calor afeta a trajetória de um objeto. Essa informação aumentará o conhecimento não apenas sobre o destino do Bennu, mas também sobre sua origem, afirmou Lauretta.

Mas vamos falar do destino — e se o Bennu atingir de fato um daqueles “buracos de fechadura” em 2135, e o asteroide cair mesmo na Terra em 2185? O que a humanidade deve esperar?

Um impacto desses provavelmente devastaria a área local mas não destruiria a civilização nem causaria extinções em massa, segundo os especialistas.

Astrônomos estimam que um asteroide precisaria ter pelo menos um quilômetro de largura para causar uma catástrofe global. (Para comparar: o asteroide que, acredita-se, extinguiu os dinossauros tinha, provavelmente,  10 quilômetros de largura.)

Mas um impacto não seria inevitável, mesmo que o Bennu tenha a Terra em vista. Dentro de cerca de uma década, dizem pesquisadores, um asteroide poderia ser desviado de seu curso através do uso de sondas “tratores de gravidade” e/ou “impactadores cinéticos.” E se o tempo não estiver do lado da humanidade, sempre há a opção nuclear.  

 

Veja também: 

- O grande azar dos dinossauros

- Nasa escolhe rocha como próximo destino de seus astronautas

- Asteroide resfriou o planeta há 12.900 anos

 

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