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Alasca entra em nova era de incêndios florestais

O estado americano esquentou duas vezes mais rápido que o resto do país nas últimas décadas

SHUTTERSTOCK
Climate Central

O Alasca, a grande fronteira setentrional dos Estados Unidos, está sendo remodelado por mudanças climáticas.

Enquanto a elevação das temperaturas altera seu caráter e sua paisagem, o aquecimento também traz a devastação de incêndios florestais.

Nos últimos 60 anos, o estado norte-americano esquentou mais de duas vezes mais rápido que o resto do país, registrando um aumento médio de temperatura de quase 1,5ºC 

Até 2050, as temperaturas deverão subir entre 2ºC e 4ºC adicionais, de acordo com as projeções, sendo que a região do Ártico deverá ter os aumentos mais dramáticos.

Essas elevações também devem aumentar os riscos incêndios florestais no Alasca, assim como tem ocorrido no restante do oeste dos EUA.

Esses incêndios têm aumentado em toda a região ocidental dos Estados Unidos desde a década de 70. Paralelamente, as temperaturas de primavera e verão também aumentaram acentuadamente e a camada média de neve na primavera diminuiu substancialmente.

Incêndios no Alasca não costumam fazer notícias nos 48 “estados mais baixos” da área continental dos EUA, mas eles ameaçam vastas expansões de florestas, parques, e tundras, que armazenam imensas quantidades de carbono.

O crescente número de incêndios florestais de grandes proporções no estado tem o potencial de danificar esses ecossistemas, assim como as pessoas e a vida selvagem que dependem deles, ao lançar uma quantidade significativa de carbono na atmosfera, contribuindo ainda mais para o aquecimento global.

Além disso, as emissões desses fogos descontrolados sobre essas vastas áreas também ameaçam a qualidade do ar no Alasca e muito além de suas fronteiras. 

Nossa análise de 65 anos de incêndios florestais no Alasca mostra que:

• O número de incêndios florestais de grandes proporções (maiores que 404,68 hectares) aumentou subitamente nas décadas de 90; e os anos 2000 viram quase o dobro desses grandes incêndios em relação às décadas de 50 e 60.

• Na região do Ártico, o número desses incêndios cresceu quase dez vezes nos anos 2000 em comparação com os anos 50 e 60. Somente três anos dessas duas décadas de registraram grandes incêndios; mas desde o ano 2000, o Ártico foi atingido por 33 grandes destruições desse tipo. 

• A área queimada todos os anos nesses grandes incêndios florestais está aumentando. Em apenas dois anos, 2004 e 2005, as chamas destruíram uma área maior que nos 15 anos de 1950 a 1964 combinados. Além disso, houve um drástico aumento em particular de incêndios que se alastraram por mais de 4.046,85 hectares, mas menos que 20.234,28 hectares. 

• A temporada de incêndios florestais no Alasca hoje é cerca de 40% mais longa que era na década de 50. As primeiras queimadas naturais começam mais cedo no ano e as últimas ardem até mais tarde no outono. Em termos gerais, a estação de incêndios aumentou em mais de 35 dias e agora dura mais de três meses, estendendo-se de maio até o início de agosto. 

• O aumento das temperaturas no Alasca tem coincidido com a elevação do número e da dimensão dos incêndios florestais no estado. Anos com os meses mais quentes de maio a julho também tendem a ser os que têm a maior incidência de incêndios e a maior área incinerada.

• De acordo com projeções da Avaliação Nacional do Clima (NCA) [programa do governo estabelecido pela Lei de Pesquisa de Mudanças Globais de 1990], a quantidade da área queimada em incêndios naturais no Alasca deverá dobrar até 2050 e triplicar até 2100 em condições de contínuas emissões e mais aquecimento.

 

Este artigoi foi reproduzido com permissão de Climate Central. O artigo foi publicado originalmente em 24 de junho de 2015.


Publicado em Scientific American em 24 de junho de 2015.