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20 de março de 2008
Alternativa potente
Células-tronco modificadas de modo reverso podem superar as embrionárias
por JR Minkel
NANCY KEDERSHA/IMMUNOGEN Photo Researchers, Inc.
OPÇÃO PROMISSORA: Os fibroblastos da pele humana podem ser alterados quando se acrescentam quatro genes nas chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que se comportam como células-tronco. A imagem mostra núcleos (azul) de fibroblastos, citoplasma (vermelho) e fibras de actina (verde).
Dez anos depois de apresentar ao mundo a ovelha Dolly, o primeiro animal clonado, Ian Wilmut, biólogo da University of Edinburgh, anunciou em
novembro de 2007 que estava deixando a área da clonagem. Sua saída não aconteceu em um momento de prestígio – nem Wilmut, nem qualquer de seus colegas de trabalho conseguiram clonar uma célula humana adulta implantando seu núcleo em um óvulo preparado e produzindo células-tronco embrionárias. Seu anúncio preparou o terreno para a publicação, alguns dias depois, de um método para transformar células epiteliais humanas diretamente em um tipo de célula que, essencialmente, equivale às do tipo embrionário. A clonagem, disse Wilmut para os repórteres, ficou obsoleta.

Em princípio, se as células resultantes dessa transformação – chamadas de célulastronco pluripotentes induzidas (iPS, na sigla em inglês) – forem suficientemente versáteis e não apresentarem defeitos, poderiam se tornar a fonte ideal de células-tronco para a criação de modelos mais realistas de doenças para testes de medicamentos e para o desenvolvimento de futuras terapias resultantes de linhagens de células compatíveis com o sistema imunológico de um paciente. “Atualmente tudo isso é muito mais controlável, e a perspectiva de não precisar usar óvulos humanos para esse trabalho é extremamente atraente”, afi rma o biólogo Arnold Kriegstein, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa da University of California em São Francisco.

A existência de Dolly demonstrou que a reprogramação é possível, e a questão era como. De acordo com um estudo de 2005 publicado na revista Science, uma célula adulta fundida a uma célula-tronco embrionária adotará o estado embrionário, o que indica que uma mistura de produtos genéticos inicia a mudança. No ano seguinte, um grupo liderado pelo biólogo especializado em células-tronco Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, Japão, publicou uma receita para reprogramar fibroblastos (células encontradas no tecido conjuntivo) de camundongos. O método é usado para inserir quatro poderosos genes reguladores – Oct4, Sox2, c-myc e Klf4 – no DNA das células, e cada um deles é levado até seu destino final por seu próprio retrovírus. Chamados de fatores de transcrição, esses genes agem como cabos de alimentação, ativando muitos outros genes ao mesmo tempo. As células transformadas passaram por um importante teste para provar sua propriedade embrionária de “tronco” ou pluripotência: ao serem inseridas em um embrião de camundongo, elas continuam a se desenvolver em todas as três das camadas fundamentais de tecido do embrião.

Relatórios confirmando o fato vieram logo no começo de 2007 dos laboratórios de Rudolf Jaenisch, do Whitehead Institute for Biomedical Research, do Massachusetts Institute of Technology, e de Konrad Hoched - linger, do Harvard Stem Cell Institute. Em seguida,
em novembro, a equipe de Yamanaka e uma equipe independente da University of Wisconsin -Madison, liderada por James Thomson, publicaram relatórios na revista Science aprimorando a técnica para fibroblastos humanos. “Realmente acreditei que essa questão levaria 20 anos para ser resolvida, mas parece que as coisas estão acontecendo muito mais rápido”, disse Thomson, que em 1998 se tornou o primeiro a extrair células-tronco de um embrião humano.
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