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Amamentação está associada com melhores desenvolvimentos cerebrais e resultados neurocognitivos

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Um novo estudo, que acompanhou 180 bebês prematuros do nascimento até os sete anos de idade, descobriu que bebês que foram mais amamentados nos 28 primeiros dias de vida tiveram maiores volumes em certas regiões cerebrais no período equivalente e melhores QIs, conquistas acadêmicas, memória e função motora.

As descobertas foram publicadas no dia 29 de julho, na revista científica The Journal of Pediatrics.

"Nossos dados apoiam as recomendações atuais de utilizar leite materno para alimentar bebês prematuros durante sua hospitalização neonatal na unidade de terapia intensiva (UTI). Isso não é importante só para as mães, mas também para hospitais, empregadores, e amigos e familiares, para que eles possam fornecer o apoio necessário durante esse período no qual as mães estão sob estresse e trabalhando duro para produzir leite para seus bebês,” diz Mandy Brown Belfort, MD, pesquisadora e médica no Departamento de Medicinal Neonatal no Brigham and Women`s Hospital e autora principal do estudo.

Pesquisadores estudaram bebês nascidos antes de 30 semanas de gestação que foram inscritos no grupo do Victorian Infant Brain Studies entre 2001 e 2003. Eles determinaram o número de dias em que os bebês receberam leite materno como mais de 50% da sua ingestão nutricional do nascimento até os 28 dias de vida. Além disso, examinaram dados relacionados aos volumes das regiões cerebrais, medidos através de ressonância magnética (MRI) na idade do período equivalente de cada bebê e aos sete anos. Também realizaram testes cognitivos (QI, leitura, matemática, atenção, memória, linguagem, percepção visual) e motores com as crianças aos sete anos.

As descobertas mostram que, de todos os bebês, aqueles que receberam predominantemente leite materno em mais dias durante sua hospitalização na UTI possuíam um volume maior e mais profunda de matéria cinzenta nuclear, uma área importante para o processamento e transmissão de sinais neurais para outras partes do cérebro, na idade do período equivalente, e, aos sete anos, tiveram melhores resultados nos testes de QI, matemática, memória e nos testes motores. De uma maneira geral, a ingestão de mais leite materno está correlacionado com melhores resultados, incluindo maiores volumes de regiões do cérebro no termo equivalente e resultados cognitivos aperfeiçoados aos sete anos.

"Muitas mães de bebês prematuros têm dificuldades em fornecer leite materno para seus filhos, e nós precisamos trabalhar duro para garantir que essas mães possuam os melhores sistemas de suporte possíveis à disposição para maximar suas habilidades de saciar seus próprios objetivos de amamentação. Também é importante notar que existem muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de um bebê, sendo o leite materno apenas um,” afirma Belfort.

Os pesquisadores apontam algumas limitações no estudo, como o fato dele ter sido observacional. Embora eles tenham ajustado fatores como diferenças na educação materna, alguns dos efeitos podem ser possivelmente explicados por outros fatores que não foram medidos, como maior envolvimento materno em outros aspectos do cuidado do bebê.  

Belfort adiciona que estudos futuros utilizando outras técnicas de MRI poderiam proporcionar maiores informações sobre as maneiras específicas em que a ingestão de leite humano pode influenciar a estruturação e funcionamento do cérebro. Trabalhos futuros também serão necessários para desvendar o papel da amamentação materna em comparação a outros tipos de cuidado e nutrição maternos no desenvolvimento do cérebro do bebê prematuro.

 

Brigham and Women`s Hospital

 

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