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Areia de Marte Lembra Solo do Havaí

Solo da cratera Gale sugere transição de ambiente úmido para seco

Mike Wall e SPACE.com
NASA/JPL-Caltech/Ames
Essa imagem mostra resultados da primeira análise do solo marciano feita pelo instrumento CheMin, do jipe Curiosity, revelando a presença de feldspato cristalino, piroxênios e olivinas misturados com alguns materiais não-cristalinos. As cores no gráfico representam a intensidade dos raios-X, com vermelho sendo o mais intenso. Imagem: NASA/JPL-Caltech/Ames
A primeira análise da areia marciana revela uma composição mineral semelhante à de solos vulcânicos do Havaí, anunciaram pesquisadores em 30 de outubro.

Os resultados vêm do jipe Curiosity, da Nasa, que recentemente estudou uma porção da areia do Planeta Vermelho com seu instrumento Química e Mineralogia, (CheMin em inglês) pela primeira vez.

“Esse solo marciano que analisamos na semana passada parece mineralogicamente semelhante a alguns materiais basálticos desgastados como, por exemplo, os solos desgastados nos flancos do Mauna Kea, no Havaí” comentou David Bish, um dos pesquisadores do CheMin, da Indiana University.

O CheMin é um dos 10 instrumentos científicos que a Curiosity está usando para determinar se seu local de pouso na cratera Gale poderia ter sustentado a vida microbiana. O CheMin estuda o solo e amostras de rocha usando uma técnica chamada de difração por raios-X, que determina a composição mineral a partir dos raios-X refletidos por elas.

O que era esperado

A difração de raios-X é uma prática padrão entre os geólogos, mas a Curiosity é o primeiro robô da História a empregá-la em outro planeta. A equipe da missão teve que reduzir o equipamento necessário, que era do tamanho de uma geladeira, ao tamanho de uma caixa de sapatos para fazer o CheMin caber no jipe que tem o tamanho de um carro e aterrissou em Marte em agosto. 

“Nós podemos dizer, em primeiro lugar, os tipos de minerais presentes e, em segundo lugar, as quantidades de cada mineral”, informou o principal pesquisador do CheMin, David Blake, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa,em Moffett Field, na Califórnia. “Esse é de fato o primeiro instrumento quantitativo completo a fazer esse trabalho em Marte”.

Os primeiros resultados do CheMin – obtidos usando o solo que a Curiosity escavou em um local chamado “Rocknest” – não são surpreendentes.

“Grande parte de Marte é coberta por poeira, e nós tínhamos uma compreensão incompleta de sua mineralogia”, declarou Bish. “Agora sabemos que ele é mineralogicamente semelhante a materiais basálticos, com quantidades significativas de feldspato, piroxênio e olivina, o que não é inesperado. Aproximadamente metade do solo é material não-cristalino, como cristais vulcânico ou produtos de desgaste de cristais”.  

A amostra contém pelo menos dois componentes: partículas distribuídas por tempestades de areia marcianas e areia que parece ter se originado na própria cratera Gale. Os pesquisadores também disseram que, ao contrário do que indica o conglomerado de rochas que a Curiosity descobriu há mais ou menos um mês, não há evidências de grande interação com água líquida na amostra de Rocknest.

“Até agora, os materiais que a Curiosity analisou são consistentes com nossas ideias sobre os depósitos na cratera Gale registrando uma transição que ocorreu com o passar do tempo, de um ambiente úmido para um seco”, informou Bish. “As rochas mais antigas, como as dos conglomerados, sugerem água líquida, enquanto os minerais do solo mais jovem são consistentes com uma interação limitada com a água”.

Próximos passos

A Curiosity está em Rocknest há mais ou menos um mês. Durante esse período, o jipe de US$2,5 bilhões esteve se preparando para suas primeiras atividades de coleta e para usar os instrumentos CheMin e SAM (Análise de Amostras de Marte, em inglês) pela primeira vez.

Assim como o CheMin, o SAM fica no corpo principal da Curiosity e analisa amostras coletadas pelo braço robótico de2,1 metrosdo jipe. O SAM consegue identificar moléculas que contêm carbono – chamados compostos orgânicos –  blocos construtores da vida como a conhecemos.

Os primeiros resultados de solo do SAM devem chegar em breve, avisaram os cientistas da missão.

“Esperamos ficar nesse local pelo menos mais uma semana, e hoje começaremos o processo de uplink da parte do experimento que finalmente coloca a amostra no instrumento SAM”, explicou o principal cientista da Curiosity, John Grotzinger, do Caltech em Passadena. “Daqui a cerca de uma semana ou 10 dias, devemos receber dados de volta com a conclusão do experimento”.

O SAM já estava analisando a atmosfera marciana em busca de traços de metano, um gás comumente produzido por organismos vivos aqui na Terra. A equipe não está pronta para anunciar nenhum resultado dessa atividade, mas deve estar em breve. “Continuem ligados”, brincou Grotzinger.

Lá em Rocknest, a Curiosity também está estudando as rochas do Planeta Vermelho com algumas de suas câmeras e outros instrumentos.

Na semana passada, por exemplo, o jipe explodiu um sistema em miniatura de arcos naturais – batizado de “Stonehenge” por alguns membros da equipe – usando o laser de seu instrumento ChemCam. A ChemCam determina a composição mineral analisando as partículas evaporadas pelo laser.

A Curiosity aterrisou dentro da cratera Gale em 5 de agosto. Seu destino principal é o Monte Sharp, a montanha de 5,5km de altura no centro da cratera. A sonda orbital de Marte detectou sinais de que o sopé do monte Sharp já esteve exposto à água há muito tempo.

Esses interessantes depósitos ficam a cerca de 10km do local de pouso da Curiosity. Cientistas querem que o jipe execute sua primeira atividade de perfuração no Rocknest, ou perto dele, mas a Curiosity deve começar a se mover na direção do monte Sharp quando tiver terminado – talvez por volta do final do ano, informou Grotzinger. 

sitesciam01nov2012
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