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Armas mais antigas já encontradas na América do Norte são anteriores à Cultura Clóvis

Pontas de projéteis estavam em sítio onde também foram encontradas peças Clóvis e também de outra cultura

Texas A&M University
Uma das pontas de projétil encontradas no sítio que tem 15.000 anos de idade.

Pesquisadores da universidade Texas A&M descobriram o que parecem ser as mais antigas armas já encontradas na América do Norte: antigas pontas de projéteis com 15.500 anos de idade. O achado levanta novas questões sobre a chegada dos primeiros habitantes ao continente.

Michael Waters, diretor do Centro para Estudos dos Primeiros Americanos na Texas A&M e seus colegas da Universidade do Texas e da Universidade Baylor publicaram a descoberta na edição atual da revista Science Advances. A equipe encontrou várias armas com cerca de 7,5 a 10 centímetros de comprimento enquanto escavava um sítio arqueológico a 120 km de Austin, no centro do Texas. O sítio tem sido escavado exaustivamente há 12 anos.

As pontas de flecha feitas de rochas sedimentares e várias outras ferramentas foram encontradas debaixo de centímetros de sedimentos que foram datados de 15.500 anos de idade, e antecedem a cultura Clóvis, que por muito tempo se pensou ter sido o primeiro povo a ocupar a América. 

“Não há dúvida de que estas armas serviram para caçar animais que vivam nesta área naquela época”,  diz Waters. “A descoberta é significativa porque quase todos os sítios pré-Clóvis têm ferramentas de pedra, mas ainda não haviam sido encontradas pontas de flechas. Estas pontas estavam por debaixo de outra camada onde havia pontas pertencentes às culturas Clóvis e Folsom. A Clóvis remonta a 13 mil e 12.700 anos atrás, e a Folsom é posterior. O nosso sonho sempre foi encontrar artefatos como pontas de projéteis que pudessem ser reconhecidos como mais antigos do que a cultura Clóvis, e foi isso que aconteceu."

“Estas descobertas expandem nosso conhecimento sobre os primeiros povos que exploraram e se estabeleceram no norte da América”, diz Waters. “Esse povoamento, que ocorreu durante o final da última Idade do Gelo foi um processo complexo e esta complexidade se expressa no registro genético.  Agora, a complexidade está começando a aparecer também no registro arqueológico.”  

Texas A&M University

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