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A hipótese de Marte ter sido atingido por um asteróide não era provável: crateras que pontilham os planetas internos e suas luas no Sistema Solar indicam que rochas espaciais se chocaram como bolas de bilhar quando os planetas ainda eram jovens. Um exemplo é o caso da Lua que pode ter se formado quando um objeto com as dimensões de Marte colidiu com a jovem Terra.
Esses novos estudos alimentaram a idéia excêntrica de que um impacto teria produzido a dicotomia, avaliam os cientistas planetários Walter Kiefer do Instituto Planetário e Lunar, em Houston. O próximo passo a seguir, segundo Kiefer, será procurar nas rochas marcianas diferenças químicas que indiquem que a crosta ─ na região da dicotomia ─ possa conter materiais presentes em partes bem profundas do manto e que foram soerguidas após o impacto.
O tipo de asteróide necessário para formar a dicotomia poderia se encaixar nas dimensões de rochas que formaram outras grandes crateras, como a bacia de impacto Aitken ─ no pólo sul da Lua e a bacia Hellas, no hemisfério Sul de Marte, ambas com mais de 2.000 quilômetros de extensão.
Embora os habitantes da Terra ainda enfrentem a ameaça de choques com asteróides mortos, pesquisadores afirmam que impactos superintensos ─ como o que provocou a dicotomia marciana ─ desapareceram há muito tempo, deixando somente cicatrizes para contar sua história.
“O Sistema Solar primordial era um lugar muito perigoso,” comenta Andrews-Hanna, “mas se não tivéssemos impactos, os planetas não seriam como são.” |