Sciam
Clique e assine Sciam
Notícias

Astronautas do programa Apollo sofrem de maior taxa de mortes relacionadas a problemas cardiovasculares

Estudo sugere que causa provável é a exposição à radiação espacial profunda

 

 

Shutterstock

Membros do bem-sucedido programa espacial Apollo estão sofrendo com maiores taxas de problemas cardiovasculares que, acredita-se, são causados pela exposição à radiação espacial profunda, de acordo com um pesquisador da Universidade Estadual da Flórida (FSU).

Em um estudo publicado na revista científica Scientific Reports, o reitor da Faculdade de Ciências Humanas da FSU, Michael Delp, explica que os homens que viajaram para o espaço profundo em missões lunares foram expostos à níveis de radiação cósmica que não foram experienciadas por nenhum outro astronauta ou cosmonauta. A exposição, agora, está se manifestando como problemas cardiovasculares.

“Nós sabemos muito pouco sobre os efeitos da radiação espacial profunda na saúde humana, particularmente nos sistema cardiovascular,” diz Delp. “Isso nos dá um primeiro olhar sobre seus efeitos adversos em humanos.”

Esse é o primeiro estudo que se volta para a mortalidade dos astronautas da Apollo. O programa Apollo aconteceu de 1961 a 1972, com 11 voos tripulados por humanos entre 1968 e 1972. Nove dessas voaram além da órbita da Terra e para o espaço profundo. O programa se celebrizou por ter resultado no pouso de homens na Lua, assim como pela  missão Apollo 13, que falhou e deu origem ao popular filme de 1995, de Ron Howard.

A pesquisa de Delp é de interesse especial agora, um momento em que os EUA e outros países, além de organizações privadas, fazem planos para outras viagens ao espaço profundo. A Nasa revelou planos para missões orbitais estadunidenses em volta da lua de 2020 a 2030, em preparação para um voo tripulado por homens para Marte. Rússia, China e a Agência Espacial Europeia estão olhando para missões lunares. E a SpaceX, propriedade de Elon Musk, se propôs a colocar humanos em Marte até 2026.

Como grupo, os astronautas têm alto nível educacional e possuem acesso aos melhores cuidados, o que significa que suas condições de saúde são, de maneira geral, melhores do que os da população como um todo. Mas o grupo de homens do programa Apollo experienciou condições ambientais mais variadas do que qualquer outro ser humano, quando viajou para o espaço profundo.

Delp descobriu que 43% dos astronautas do programa Apollo já falecidos morreram devido a problemas cardiovasculares. Essa taxa é quatro ou cinco vezes maior do que a de astronautas que não voaram ou que viajaram em órbita terrestre baixa.

Dos 24 homens que voaram para o espaço profundo nas missões lunares do Apollo, oito morreram e sete foram incluídos no estudo. O oitavo — Edgar Mitchell — morreu após a análise de dados ter sido completada.

Delp e seus colegas também expuseram camundongos ao tipo de radiação que os astronautas do Apollo teriam experimentado. Depois de seis meses — o equivalente a 20 anos humanos — os animais demonstraram um prejuízo nas artérias que, já se sabe, leva ao desenvolvimento de doença cardiovascular aterosclerótica em humanos.

“O que os dados dos camundongos mostram é que radiação espacial profunda é prejudicial para a saúde vascular,” diz Delp. Ele está trabalhando com a Nasa para conduzir estudos adicionais sobre saúde cardiovascular nos astronautas do Apollo.

 

Florida State University

 


Veja também:


- Apollo 11

- Veículo de pouso da Apollo 11 identificado por satélite lunar