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Astronautas podem caminhar na Lua em breve

Novos trajes para astronautas deixarão de exigir a locomoção por saltos

 

Nasa
Os trajes vestidos por astronautas da missão Apollo, como Buzz Aldrin, foram projetados para otimizar o suporte à vida, não a mobilidade.

 

 
Por Charles Q. Choi e SPACE.com

Um novo estudo relata que astronautas podem conseguir caminhar na lua mais rápido do que se pensava anteriormente.

As descobertas podem ajudar cientistas a projetar trajes espaciais melhores, que poderiam ajudar astronautas a explorar a Lua, Marte ou asteroides, adicionam os pesquisadores.

Filmes da missão Apollo frequentemente mostram astronautas saltitando em vez de caminhar. Ao contrário da crença popular, porém, os astronautas empregavam essa forma de movimento porque os trajes espaciais da época não eram projetados para caminhar, não devido à baixa gravidade lunar.

“Os trajes espaciais usados pelos astronautas da Apollo não foram projetados para otimizar a mobilidade – eles foram projetados para otimizar o suporte à vida”, explica o principal autor do estudo, John De Witt, biomecânico sênior do Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston.

“Os criadores do traje não estavam preocupados com o movimento das pernas, mas com oxigênio, água e resfriamento”, contou De Witt à Space.com. “Como resultado, os astronautas da Apollo não conseguiam movimentar muito suas pernas nos trajes espaciais, e achavam mais fácil saltitar em vez de caminhar”.

Para projetar trajes espaciais modernos com mais liberdade de movimento, De Witt e seus colegas investigaram como pessoas se movem em gravidade baixa, incluindo a velocidade a que humanos vão do caminhar à corrida. Para sua surpresa, eles descobriram que astronautas devem continuar caminhando na Lua a velocidades mais altas que se acreditava anteriormente.

Para explorar os efeitos da gravidade lunar, que é aproximadamente um sexto da gravidade da Terra, os pesquisadores conduziram experimentos em aviões apelidados de “Cometas de enjoo”. Esses aviões voam para cima e para baixo em arcos parabólicos para induzir níveis temporariamente reduzidos de gravidade que astronautas sentiriam longe da Terra.

Durante cada arco, que dura cerca de 65 segundos, os cientistas só tinham 20 segundos para testar os estilos de caminhada e corrida de cada voluntário em uma esteira a um-sexto da gravidade terrestre. Os pesquisadores recrutaram três astronautas e cinco outros voluntários que poderiam tolerar esses voos parecidos com uma montanha russa.

Os pesquisadores pediram que os voluntários se movimentassem a velocidades que iam de 2,4 a 7,2 km/h. Eles analisaram a velocidade a que os voluntários passavam do caminhar para a corrida, e definiram “corrida” como movimentos envolvendo tempo gasto com os dois pés no chão. Na Terra, essa transição acontece a velocidades de aproximadamente 7,2km/h.

Cálculos teóricos previram que a transição entre o caminhar e o correr ocorreria a aproximadamente 2,9km/h na gravidade lunar. Os pesquisadores, no entanto, descobriram em seus experimentos que a velocidade média para essa mudança era de aproximadamente 5km/h.

Essas novas descobertas apoiam dados de estudos anteriores que simulavam a baixa gravidade lunar com um arreio elevado que segurava um-sexto do peso das pessoas enquanto elas caminhavam e corriam.

De Witt sugere que as forças geradas pelo movimento de braços e pernas poderiam ser responsáveis por essa mudança na transição entre o caminhar e o correr.

“As forças geradas pelo movimento de membros corporais acabam empurrando corpos para baixo, impedindo que as pessoas saiam do chão e comecem a correr”, observou ele.

Os novos dados ajudarão a melhorar o projeto de trajes espaciais, afirmou De Witt.

“Nós queremos produzir trajes melhores que auxiliem na exploração de outros corpos celestes no futuro: a Lua, Marte ou um asteroide”, conclui ele.

Os cientistas detalharam suas descobertas online em 17 de setembro, no Journal of Experimental Biology.