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Aumenta a emissão industrial de gases de efeito estufa

Novo estudo revela crescimento entre empresas mais poluidoras do mundo

spirit of america/shutterstock
A poluição gerada pelas “500 Globais” do Carbon Disclousure Project caiu desde 2009 mas as 50 empresas com emissões mais elevadas do índice registraram emissões 1,65% maiores no mesmo período.
Por Daniel Cusick e ClimateWire

ClimateWire

A recuperação econômica global produziu resultados mistos para as empresas que tentam reduzir suas pegadas de carbono de acordo com o último levantamento anual de algumas das maiores empresas poluidoras do mundo feito pelo CDP (o Projeto de Revelação do Carbono, ou Carbon Disclosure Project), uma organização britânica sem fins lucrativos que visa reduzir as emissões desses gases.

Embora a poluição gerada pelas “500 Globais” do CDP tenha caído de 4.200 para 3.600 bilhões de toneladas de dióxido de carbono desde 2009, as 50 empresas com emissões mais elevadas do índice registraram emissões 1,65% maiores no mesmo período. 

Além disso, apesar de muitas empresas estarem se empenhando mais que nunca para avaliar seus impactos climáticos diretos, o CDP constatou que 47% das atividades com maior potencial de emissão de GEE (mais carbono-intensivas), conhecidas como emissões do “escopo3”(emissões indiretas), continuam não sendo medidas nem reportadas. Entre outras, elas incluem atividades de investimento, o uso e o processamento dos produtos vendidos, e a operação de franquias.

O CDP é um dos principais coletores e divulgadores de dados setoriais de negócios sobre as emissões de gases de efeito estufa no mundo e seu relatório anual “Global 500 Climate Change Report” se tornou um dos indicadores mais importantes de como as empresas estão respondendo às mudanças climáticas.

A análise é baseada em dados climáticos e energéticos apresentados por 389 empresas listadas no FTSE Global 500 Equity Índex, índice que reúne as 500 companhias com maior capitalização na Bolsa de Valores de Londres.

Embora os índices anteriores tenham enfatizado principalmente os progressos alcançados por algumas das marcas mais conhecidas do mundo para lidar com os complexos desafios associados à mudança climática, esse último relatório tem um tom de advertência e deixa claro quanto mais precisa ser feito para conseguirmos registrar mudanças significativas no perfil climático do mundo.

Os grandes emissores podem cumprir suas promessas?

“Muitos países estão dando sinais de recuperação após a crise econômica global”, declarou Paul Simpson, CEO do CDP em um comunicado. “No entanto, evidências científicas claras e eventos climáticos cada vez mais extremos estão enviando sinais fortes de que precisamos buscar caminhos para a prosperidade econômica enquanto reduzimos as emissões de gases de efeito estufa. É imperativo que os grandes emissores melhorem o seu desempenho nesse sentido e que os governos criem mais incentivos para que isso aconteça”.

O relatório observa que três setores de negócios — empresas de energia, serviços públicos e fabricantes de materiais — são responsáveis por 87% das emissões de escopo 1 e 2 — os gases de efeito estufa emitidos diretamente pelas atividades de uma empresa, mesmo que correspondam a menos de 25% de todas as empresas no índice.

De fato, de acordo com o CDP, cada uma das emissões de escopo 1 e 2 de todos esses três setores de alta emissão representam, juntas, mais que o dobro das emissões combinadas de todos os outros setores incluídos no índice.

As empresas prometem fazer mais que nunca para reduzir as emissões, mas “existe uma disparidade entre as estratégias, as metas e as reduções de emissões das empresas” que, de acordo com os cientistas climáticos, serão necessárias para limitar o aumento da temperatura média global a 2ºC.

Quanto às empresas que lideram o índice CDP, os autores do relatório dizem que elas “demonstram um forte comprometimento com a gestão de seus impactos sobre o meio ambiente e estão produzindo resultados financeiros e ambientais melhores”.

Fabricantes de carros lideram as reduções

Os melhores desempenhos no índice deste ano incluem meia dúzia de montadoras — BMW AG, Daimler AG, General Motors Co., Honda Motor Co., Nissan Motor Co. e Volkswagen AG — com pontuações de 100 ou 99, juntamente com a Royal Philips NV , a Nestlé SA, a BNY Mellon Corp, a Cisco Systems Inc. e a Gas Natural SDG, que obtiveram, todas, 100 pontos.

As autoridades atribuíram a forte presença de fabricantes de automóveis às melhorias gerais na economia de combustível e a um crescente investimento em veículos híbridos e elétricos. Além disso, as montadoras se tornaram líderes na divulgação de seus impactos climáticos ao longo de suas grandes e complexas cadeias de suprimentos.

Em comunicado, a Honda informou ter fornecido estimativas de todas as suas emissões de gases de efeito estufa, “inclusive as provenientes da aquisição de matérias-primas para produção e venda, e de toda a linha de utilização pelo cliente até o tratamento de fim de vida útil dos produtos Honda”. Além disso, a empresa afirmou ser a primeira do mundo a revelar todas as suas emissões de escopo 3.

A companhia afirmou que sua forte posição no índice CDP reflete sua visão ambiental, que implica em proporcionar “alegria e liberdade de mobilidade” e promover “uma sociedade sustentável onde as pessoas possam desfrutar a vida”.

A companhia de eletricidade americana mais bem classificada na lista do CDP foi a Exelon Corp. com uma pontuação de 98. As outras empresas de utilidade pública citadas foram a American Electric Power Co. e a Duke Energy Corp., que obtiveram respectivamente 68 e 67 pontos.

Entre as grandes empresas dos Estados Unidos situadas abaixo de 50 pontos no índice de 2013 estão a Costco Wholesale Corp (45), a Procter & Gamble Co. (47), Mastercard Inc. (43) e a Danaher Corp (12).

Reproduzido da publicação ClimateWire com permissão da Environment & Energy Publishing, LLC. www.eenews.net


sciambr17set2013