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Redes de pesca reduzem populações de aves mergulhadoras

Centenas de milhares de aves se afogam ou se ferem enroscadas 

Markus Vetemaa/Marine Photobank
Milhares de aves marinhas se afogam enroscados em redes de pesca todos os anos
Por Daniel Cressey e revista Nature

O fechamento de pescarias canadenses após o colapso de subpopulações de peixes no início dos anos 90 revelou evidências do horrível impacto de equipamentos de pesca sobre aves marinhas.

Há muito tempo biólogos se preocupam com o risco de aves mergulhadoras ficarem presas em redes de emalhar, que ficam ancoradas em posições fixas no mar. Projetadas para capturar peixes pelas guelras, essas redes também podem capturar e afogar aves.

Isso foi demonstrado graficamente por descobertas de aves presas em redes, mas uma avaliação quantitativa dos efeitos dessas ‘capturas colaterais’ sobre populações de aves marinhas foi difícil de encontrar.

Agora essas evidências sólidas vêm de um estudo cuidadoso de populações de aves marinhas na costa leste do Canadá, onde a pesca de salmão e bacalhau foram proibidas, bem como  as redes em 1992. Esse trabalho aparece algumas semanas após outro relatório estimar que centenas de milhares de aves morrem todos os anos em redes ao redor do mundo.

Os ecólogos Paul Regular e William Montevecchi da Memorial University of Newfoundland em St. John e seus colegas examinaram dados sobre várias aves marinhas em cinco grandes reservas canadenses de aves marinhas em Newfoundland e Labrador entre 1968 e 2012. Em seguida, eles compararam tendências da população de aves com dados sobre o uso de redes de emalhar entre 1987 e 2009.

A equipe descobriu que populações de aves mergulhadoras como airos e patolas, que são vulneráveis a ficar emaranhadas em redes, aumentaram após a proibição. Mas no mesmo período, o número de gaivotas e outros necrófagos de superfície que se beneficiam de peixes descartados por pescarias diminuiu, relatam os pesquisadores em Biology Letters. Apesar de as populações de gaivotas terem diminuído, essas espécies não correm risco de extinção e é provável que seus números estejam retornando a níveis mais naturais com uma menor influência da atividade humana.

Números sólidos

“Levando em conta estimativas anteriores de dezenas de milhares de airos mortos todos os anos em redes de pesca regionais, números claramente significativos de airos reprodutores sobreviveram”, declaram Regular e Montevecchi. Os dados “apoiam a contenção amplamente aceita, mas raramente documentada, de que a mortalidade de capturas colaterais afeta populações de aves marinhas”.

Os autores declaram que a pressão da pesca na costa atlântica do Canadá é muito menor agora do que era antes do fechamento parcial da pesca, mas mortes de aves provocadas por capturas colaterais ainda são um problema, já que outros tipos de pesca continuam abertas. Eles sugerem métodos alternativos de captura de peixes, como gaiolas que permitem que peixes entrem, mas não saiam, e que oferecem pouco risco para aves mergulhadoras. Eles também recomendam a criação de reservas chamadas de áreas marinhas protegidas, de que o Canadá “tem uma falta muito extrema” atualmente.

Cleo Small, que trabalha em problemas de aves marinhas para a Real Sociedade para a Proteção de Aves em Sandy, no Reino Unido, aponta que dados sobre capturas colaterais em pescarias com redes de emalhar são escassos, então o artigo de Regular e Montevecchi será “uma referência muito importante para trabalhos futuros”.

No início de maio, Small e seus colegas publicaram, na Biological Conservation, uma revisão global de aves marinhas capturadas em redes de emalhar. Observando todas as estimativas publicadas que conseguiram encontrar, eles concluíram que 400 mil aves são mortas dessa maneira todos os anos.

“Eu fiquei chocada com a escala dos números após somá-los”, conta Small. “Espero que a revisão canadense e a revisão global ajudem a estimular pesquisas e ações políticas que ajudem a encontrar algumas soluções”.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 29 de maio de 2013.