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Bebê nasce em útero transplantado na mãe por cirurgia feita com robô

O uso da tecnologia no transplante torna procedimento menos agressivo e melhora a recuperação dos pacientes

 

Björn Larsson Rosvall / expondera
Paciente anestesiada submetida a cirurgia de Laparoscopia assistida por robô para poder doar seu útero.

A conhecida pesquisa sobre transplante uterino em Gotemburgo agora dispõe do recurso da cirurgia robótica. Essa mudança tornou a operação nos doadores consideravelmente menos invasiva. E já ocorreu a primeira gravidez após a incorporação da tecnologia. "Eu acho que a cirurgia robótica tem um grande futuro nesta área," diz Mats Brännström, professor de Obstetrícia e Ginecologia da Academia Sahlgrenska, Universidade de Gotemburgo, e pesquisador referência mundial no campo.

Recentemente, o quinto e sexto transplantes, de um total de dez, foram realizados como parte do projeto de pesquisa em andamento sobre transplante uterino com cirurgia assistida por robô. Ao mesmo tempo, uma mulher que se submeteu a cirurgia em 2017 está grávida, com  data de parto estimada para a primavera. O bebê será o primeiro nascido após um transplante usando a nova técnica. Até agora, houve oito nascimentos após transplantes uterinos na Suécia. Estes também ocorreram dentro do escopo da pesquisa na Academia Sahlgrenska, mas após uma cirurgia de transplante tradicional.

É principalmente o doador que é afetado pelas mudanças trazidas pela nova técnica. A operação é feita por meio de laparoscopia auxiliada por robô, e cinco aberturas de um centímetro de comprimento permitem que os cirurgiões trabalhem com alta precisão.

O ambiente operacional também é completamente diferente. Dois dos cirurgiões sentam-se com suas cabeças perto de seus respectivos monitores cobertos onde, usando ferramentas semelhantes a um joystick, controlam os braços do robô e os instrumentos cirúrgicos que liberam o útero.

Um movimento da mão do cirurgião pode ser convertido em um movimento do tamanho de um milímetro no abdômen do doador, permitindo uma precisão que minimiza a perturbação tanto para o paciente quanto para o útero. A operação de várias horas termina com a remoção do útero através de uma incisão no abdômen antes de o inserir no receptor por meio de cirurgia aberta. "Não economizamos tanto tempo quanto pensávamos, mas ganhamos de outras formas. O doador perde menos sangue, a internação hospitalar é mais curta e o paciente se sente melhor depois da cirurgia", diz Brännström.

Até agora, a pesquisa em Gotemburgo incluiu transplantes uterinos envolvendo doadores vivos, onde doadores e receptores tinham alguma relação - muitas vezes mães e filhas, mas também houve um caso que envolveu amigos íntimos. O uso de úteros de doadores de órgãos falecidos está se tornando outra opção viável.

Na opinião de Brännström, mais cinco ou seis casos podem ser executados no projeto. Se assim for, os destinatários serão mulheres que já estão registradas nos estudos do grupo de pesquisa, mas que não engravidaram porque, por exemplo, o útero do doador proposto se mostrou inadequado. Nenhum participante novo deve ser admitido.

Em todo o mundo até hoje, um total de 13 bebês nasceram após transplante uterino. Além dos oito primeiros nascidos sob a égide da pesquisa da Academia Sahlgrenska, há duas crianças nos Estados Unidos (nascidas em dezembro de 2017 e fevereiro de 2018) e uma criança no tanto no Brasil (dezembro de 2017), quanto Sérvia (junho de 2018) e Índia. (Outubro de 2018).

UNIVERSIDADE DE GOTHENBURG

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