Sciam


Clique e assine Sciam
Notícias

Biodiversidade global pede investimento de US$76 bilhões

Quantia é pequena para assegurar 6 trilhões de dólares em serviços oferecidos pela Natureza

Daniel Cressey
Milkov Vladislav/Shutterstock
Capital necessário para conservar as espécies do mundo é um preço pequeno pelos “bens e serviços” da biodiversidade, explicam pesquisadores. 
Proteger todas as espécies ameaçadas do mundo custará aproximadamente US$4 bilhões todos os anos, de acordo com uma nova estimativa publicada em 11 de outubro na Science. Se esse número não for impressionante o suficiente, os cientistas responsáveis pelo trabalho acrescentam que conservar efetivamente as áreas significativas em que vivem essas espécies poderia custar mais de US$76 bilhões anuais. 

Stuart Butchart, líder do estudo e cientista de conservação da BirdLife International em Cambridge, no Reino Unido, admite que os números parecem muito grandes. Mas “em termos de orçamentos governamentais, eles são bem triviais”, declara ele, adicionando que os governos já se comprometeram a tomar essa ação em tratados internacionais – eles só não sabiam quanto isso custaria.

Os pesquisadores dizem ainda que os custos anuais da conservação adequada são apenas uma fração do valor dos "serviços de ecossistema" da Natureza, como a polinização de plantações e os sumidouros de carbono, estimados entre US$2 trilhões e US$6 trilhões. “Essas somas não são despesas, elas são investimentos em capital natural”, aponta Butchart. “Elas são mínimas em relação aos benefícios que recebemos da Natureza”.

Sob o acordo internacional da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), governos se comprometeram a atingir 20 metas de conservação até 2020, incluindo a melhoria do status de conservação de espécies ameaçadas. Para chegar a números mostrando quanto isso pode custar, Butchart e sua equipe pediram a 211 especialistas em espécies ameaçadas de aves que estimassem o custo de reduzir o risco de extinção para cada espécie em uma categoria na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). 

Colocando um preço na Terra 

Os pesquisadores concluíram que melhorar o status de todas as 1115 espécies de aves ameaçadas do mundo custaria entre US$875 milhões e US$1,23 bilhão anuais durante a próxima década. Adicionar outros animais eleva o número para entre US$3,41 bilhões e US$4,76 bilhões por ano.

Outra meta da CDB é proteger 17% da superfície terrestre do planeta. Estimativas para isso são mais difíceis de fazer. Tomando como base os preços conhecidos de terra e custos de administração, Butchard e sua equipe estimam em US$76,1 bilhões anuais. 

Não se sabe ao certo quanto está sendo gasto para atingir as metas da convenção, mas os gastos precisarão aumentar em “pelo menos uma ordem de magnitude”, explica Butchart. E apesar da grande incerteza nesses números, governos podem usá-los para começar a planejar maneiras de atingir as metas que já concordaram em atingir.

Henrique Pereira, que trabalha em problemas de conservação internacional na Universidade de Lisboa, em Portugal, observa que apesar de haver incertezas inerentes à generalização a partir dos dados relativos a aves, o trabalho é “um artigo extremamente inteligente”.

“Pela primeira vez temos uma estimativa de quanto essas metas custarão”, destaca ele. “Para quaisquer negociações que ocorram nos próximos anos [sobre metas da CDB], esses números podem ser usados como referência”.

Pereira alerta que o número só se refere a duas das 20 metas acordadas pela CDB. “Se observarmos todas as metas para 2020, o total da conta será maior”, lembra ele. 
Nas bancas!                     Edições anteriores                                            Edições especiais                              
Conheça outras publicações da Duetto Editorial
© 2012 Site Scientific American Brasil • Duetto Editorial • Todos os direitos o reservados.
Site desenvolvido por Departamento Multimídia • Duetto Editorial.