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08 de fevereiro de 2012
Bioterrorismo
Toxicidade do Antraz depende da genética humana
por Katherine Harmon
Antraz – cortesia de Wikimedia Commons/Marcus007
O pó branco que chegou em envelopes endereçados a parlamentares e jornalistas em 2001 acabou sendo uma encomenda mortal para várias pessoas. A substância letal –esporos conhecidos como antraz (da bactéria Bacillus anthracis) – pode produzir uma reação tóxica no fluxo sanguíneo do hospedeiro, matando células e levando à lesão dos tecidos, sangramento e morte.

Porém, a toxicidade do antraz pode depender da composição genética do indivíduo, de acordo com um novo estudo publicado on-line no Proceedings of the National Academy of Sciences. Pesquisadores descobriram que linfócitos de algumas pessoas quando expostos à bactéria cultivada em laboratório foram menos propensos a morrer que outros. Esta diferença parece estar relacionada com a regulação de um gene (gene da morfogenese capilar, ou CMG2) que cria uma proteína na superfície das células. Esta, por sua vez, determina a facilidade com que a toxina consegue penetrar nas células para destruí-las e levar a uma “gama ampla inesperada de sensibilidade celular à toxina entre os indivíduos”, explicaram os cientistas, liderados pelo geneticista Mikhail Martchenko, da Stanford University School of Medicine.

“Já sabíamos que a infecção pelo mesmo organismo em pessoas diferentes pode produzir resultados muito diferentes”, relatou David Relman, presidente do Institute of Medicine's Forum on Microbial Threats em uma divulgação oficial. “Mas até agora tem sido muito difícil determinar se essa variabilidade deve-se a fatores genéticos ou ambientais.”

Os cientistas usaram células de 234 pessoas de ascendência africana, asiática, europeia e norte-americana, cujos tecidos foram levados para o Projeto HapMap, um banco de dados do genoma disponível gratuitamente. Dessas células, a maioria sucumbiu aos ataques da bactéria antraz. No entanto, foram necessárias centenas ou mesmo milhares de vezes mais toxina de antraz para matar as células de três pessoas de descendência europeia. Além disso, pessoas com parentesco próximo pareciam ter reações semelhantes à bactéria. O novo exame específico de identificação, apontando diferenças na suscetibilidade de indivíduos cujas informações genéticas já estão catalogadas, significaria maior eficiência nas investigações dos efeitos da toxina que estudos gerais, de ampla associação genômica.

Esta descoberta “poderia levar ao desenvolvimento de novas estratégias de tratamento, talvez ao bloquear a interação entre a toxina e o receptor ou diminuindo a regulação de sua expressão”, especulou Relman, que não estava envolvido na nova pesquisa, financiada pelo Departamento de Defesa americano. “As descobertas podem ainda possibilitar a previsão de quem tem maior probabilidade de adoecer gravemente após a exposição, o que poderia ser muito útil quando confrontado com um grande número de pessoas expostas.”
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