Sciam


Clique e assine Sciam
Notícias

Buraco negro da Via Láctea devora nuvem espacial

Cientistas esperam testar teorias sobre sua acumulação de massa

 

European Research Media Center
Sagittarius A* - Esta imagem de uma animação computadorizada mostra uma simulação de nuvem espacial gigante caindo em Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro de nossa Via Láctea, em meados de 2013.

 

 
Por Claire Moskowitz e SPACE.com

O buraco negro gigante no centro da Via Láctea está se preparando para devorar uma saborosa nuvem de gás em uma refeição cósmica que astrônomos estão ansiosos para testemunhar.

Acredita-se que a maioria das galáxias hospedem buracos negros monstruosos em seus núcleos, e o da Via Láctea, chamado de Sagitário A* (pronuncia-se “Sagitário A-estrela”) contém aproximadamente quatro milhões de vezes a massa de nosso sol.

E ele está prestes a adicionar um pouco mais de massa à sua circunferência, quando engolir uma nuvem em curso de colisão com ele. Cientistas acreditam que o buraco negro levará quase um ano para devorar completamente a nuvem, com o pico de seu banquete ocorrendo por volta de setembro deste ano.

“Essa é a primeira chance que temos de testemunhar um evento assim em quase 40 anos de monitoramento do centro galáctico, então é um privilégio raro”, declarou P. Chris Fragile, astrofísico do College of Charleston que trabalha com simulações computadorizadas da queda da nuvem. O fenômeno, de acordo com ele, “será um dos eventos astronômicos mais cuidadosamente observados da história”.

Em contraste com o tamanho colossal do buraco negro, a nuvem tem apenas três vezes a massa da Terra – “ela é só um lanchinho”, compara Stefan Gillessen, astrônomo do Instituto Max Planck para Física Extraterreste em Garching, na Alemanha.

Gillessen e seu colega Reinhard Genzel planejam aumentar a frequencia com que têm observado a nuvem em breve para capturar sua trajetória em direção ao buraco negro. O registro do evento exigirá alguns dos observatórios mais sensíveis da Terra, como o Very Large Telescope no Chile, de onde Gillessen e Genzel farão suas observações.

“Esse evento fica no limite da capacidade de telescópios”, contou Gillessen à SPACE.com. “Ele é muito tênue, e temos que olhar durante um bom tempo para vê-lo”.

Cientistas já viram a nuvem acelerar e se esticar conforme é atraída para sua perdição. Forças gravitacionais de maré do buraco negro fizeram com que ela se transformasse de uma forma basicamente circular, em 2004, em um objeto fino e alongado em 2012. E enquanto há oito anos a nuvem estava se movendo a 1000 km/s, atualmente ela está com 2500 km/s.

O espetáculo cósmico deve oferecer a cientistas uma chance de testar algumas de suas teorias sobre como buracos negros atraem, ou acrecem, massa.

“Pode ser uma oportunidade única de vermos como ele faz a acreção”, explicou Gillessen. “O mais empolgante seria se Sagitário A* mudasse seu estado de acreção. Se a taxa de acreção aumentar, podemos esperar que o próprio Sagitário A* se torne significativamente mais brilhante, e ele também pode mudar sua estrutura. Existe uma pequena chance de radiotelescópios conseguirem capturar esse fenômeno”.

Cientistas também esperam aprender mais sobre a nuvem e sua origem. Algumas teorias, por exemplo, sugerem que poderia haver uma estrela escondida sob o gás, atualmente invisível, mas que alimenta a nuvem a partir de seu interior.

“Obviamente podemos aprender mais sobre a natureza da nuvem, podemos aprender sobre as condições do gás de fundo, e também sobre como o buraco negro no centro de nossa galáxia realmente se alimenta”, declarou Fragile.