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Buraco negro faz “refeição” estelar recorde

Um trio de observatórios de Raios X espiou um buraco negro supermassivo se alimentar de uma estrela gigante por mais de 10 anos

Crédito: Illustration: CXC/M. Weiss; X-ray: NASA/CXC/UNH/D. Lin et al, Optical: CFHT

Um buraco negro supermassivo vem devorando uma estrela há mais de uma década  — cerca de 10 vezes mais tempo do que qualquer outra “refeição” do tipo, reporta um novo estudo.

A duração extrema dessa refeição sugere que a estrela é incrivelmente grande, ou que está sendo mais plenamente consumida do que qualquer outra estrela conhecida que tenha virado presa de um buraco negro, afirmam membros da equipe do estudo.

Os astrônomos envolvidos no estudo usaram três telescópios espaciais  — o Observatório Raios x Chandra e o satélite Swift, da Nasa, e a nave XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia — para examinar uma fonte de Raios X conhecida como XJ1500+154, que fica a 1,8 bilhão de anos-luz da Terra.

A XMM-Newton identificou essa fonte pela primeira vez em junho de 2005, e continuou a monitorá-la desde então, assim como o Chandra e o Swift. As observações do Chandra mostraram que a XJ1500+154 fica no centro de uma pequena galáxia, sugerindo fortemente sua associação com um buraco negro supermassivo. (Esses gigantes, que podem conter bilhões de vezes mais massa do que o Sol, espreitam os centros da maior parte das galáxias, senão de todas.)

Os Raios X estão sendo gerados por um “evento de ruptura de maré” — uma estrela ou outro objeto que está sendo “rasgado” pela gravidade poderosa de um buraco negro, explicam os pesquisadores. Alguns materiais do corpo condenado caem para dentro durante o evento, esquentando tanto que gera uma labareda de Raio X.

Essa labareda da XJ1500+154 é diferente de tudo que os astrônomos já viram, dizem os membros da equipe de estudo.

"Nós testemunhamos o falecimento prolongado e espetacular de uma estrela,” afirma o autor líder do estudo, Dacheng Lin, da Universidade de New Hampshire, em uma declaração. "Dúzias de eventos de disrupção de maré foram detectados desde os anos 90, mas nenhum permaneceu tão brilhante por tanto tempo quanto esse.”

As observações dos três telescópios sugerem que o buraco negro vem crescendo rapidamente enquanto se alimenta da estrela. Essa conclusão poderia iluminar um mistério astronômico — como buracos negros supermassivos conseguiram crescer tanto e tão rapidamente há tanto tempo. (Alguns desses monstros já possuíam um bilhão de massas solares apenas um bilhão de anos depois do Big Bang.)

"Esse evento mostra que buracos negros realmente podem crescer a taxas extraordinárias,” afirmou, na mesma declaração, o coautor Stefanie Komossa, da Universidade QianNan para Nacionalidades, em Duyun City, na China. "Isso talvez nos ajude a entender quão precoces os buracos negros vieram a ser.”

A “refeição” recorde não durará para sempre, é claro. O modelo da equipe sugere que o jato de Raios X da XJ1500+154 se tornará consideravelmente mais apagada nos próximos anos, e a quantidade de comida disponível diminuirá significativamente na próxima década.

O novo estudo foi publicado online no dia 6 de fevereiro na revista científica Nature Astronomy.

 

Mike Wall, da SPACE.COM

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