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Caminhar sobre revestimento especial gera energia

A maior instalação de coletores de energia produziu 4,7 kilowatt-horas durante a maratona de Paris

Pavegen Systems
 

Durante a maratona anual de Paris, o revestimento da pista armazenou energia cinética dos 40 mil atletas participantes. 

 
A expressão “poder para o povo” ganha um novo significado quando a maior instalação de lajotas  coletoras de energia produz 4,7 kilowatt-horas de energia durante a maratona de Paris, o suficiente para manter um laptop ligado por mais de dois dias

Por Dhananjay Khadilkar

PARIS – Em 7 de abril de 2013, Peter Some, do Quênia, venceu a 37ª Maratona de Paris com um tempo de 2h05m38s. Um vencedor inesperado, Some não quebrou o recorde do evento por apenas 27 segundos, o que o manteve fora da história das corridas. Ele não precisava ter se peocupado; sem que ele e milhares de maratonistas soubessem, todos fizeram parte de um evento histórico.

Enquanto corriam pela Avenida Champs Élysées e tocavam seus pés em 176 lajotas especiais instaladas em uma faixa de 25 metros, os atletas geravam energia.

Essas “lajotas coletoras de energia” especiais foram desenvolvidas pela Pavegen Systems, com sede em Londres. A energia gerada por elas pode ser usada para fazer equipamentos de baixa voltagem funcionarem, como lâmpadas de rua e máquinas automáticas.

O conceito é criação de Laurence Kemball-Cook, que fundou a Pavegen em 2009 para comercializá-lo. “A Maratona de Paris é o primeiro de muitos projetos desse tipo que nos permitirão realizar nosso objetivo de levar essa tecnologia a locais de varejo, complexos de transportes, blocos de escritórios e espaços de infraestrutura”, declara ele.

Pavegen usa o que chama de ‘tecnologia de caixa preta híbrida’ para converter a energia de um passo em eletricidade, que é armazenada em uma bateria ou alimenta dispositivos diretamente.

Uma lajota típica é feita de polímero reciclado, com a superfície superior feita de pneus de caminhão reciclados. Um pisão que pressione uma única lajota em cinco milímetros produz entre um e sete watts.

Essas lajotas geram eletricidade com uma solução híbrida de mecanismos que incluem o efeito piezoelétrico (uma carga elétrica produzida quando se exerce pressão em cristais como quartzo) e indução, que usa molas de cobre e imãs.

Os corredores da maratona geraram 4,7 kilowatt-horas de energia, o suficiente para alimentar uma lâmpada LED durante 940 horas, ou 40 dias. “Nós nos reunimos na Maratona de Paris para destacar como a tecnologia realmente vai mudar a maneira como as pessoas pensam sobre energia”, explica Joe Hart, vice-presidente sênior de Marketing de Segmentos e Soluções da Schneider Electric.

Coletar energia facilmente soa promissor, mas sua execução é desafiadora. Como aponta Kemball-Cook: “Instalar o revestimento no chão é uma das coisas mais difíceis de fazer, já que elas tem que ser muito duráveis, resistentes ao clima, e ter alta resistência a fatiga. Além disso, essas telhas poderiam sofrer vandalismo”. 

De acordo com Hart, em alguns anos a tecnologia da Pavegen pode se tornar visível e aparente em várias áreas, não somente como unidades de energia, mas também em aplicações de segurança. “Cada uma dessas telhas tem capacidade sem fio – usando essa capacidade, podemos analisar movimentos e otimizar o controle”.

A Pavegen não está sozinha na coleta de energia cinética humana para gerar eletricidade.

Max Donelan, fundador da Bione Power, com sede no Canadá, desenvolveu uma cinta de joelho que coleta energia durante o caminhar e observa que as cintas “podem ser úteis quando você precisa de eletricidade sem depender da rede elétrica. Nosas cintas de joelho, por exemplo, estão sendo desenvolvidas para uso militar em locais como o Afeganistão, onde células de bateria têm preços exorbitantes”.

Lajotas coletoras de energia podem ser apenas um pequeno passo para o homem, mas dar vários desses passos pode levar a um futuro mais poderoso e sustentável.