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30 de setembro de 2010
Casa Branca quer criar o Governo 2.0
Vivek Kundra, o czar de informática de Obama, pretende disponibilizar gratuitamente todas as informações na web
por Michael Moyer
Stephen Voss
Kundra espera enxugar o desperdício do governo e facilitar sua interação com os cidadãos
O governo federal americano pode ser muitas coisas, menos transparente. Como primeiro chief information officer (CIO) do país, Vivek Kundra está tentando levar a infraestrutura federal para a era da informática, disponibilizando livremente os dados do governo na internet. A tecnologia conseguirá revolucionar a forma de interagirmos com o governo?


SCIENTIFIC AMERICAN: Todos sabem que a Casa Branca tem uma página no Facebook. Fora isso, de que formas o governo usa a tecnologia para melhor servir os contribuintes?

KUNDRA: O poder da tecnologia da informação (TI) vai muito além da abertura de um website ou da postagem de conteúdo no Facebook ou no Twitter. Eu vejo o Governo 2.0 como uma reengenharia fundamental da forma em que o povo americano interage com seu governo.

É só pensar no abismo que existe entre a experiência de alguém que entra na internet para fazer uma reserva de hotel ou comprar um livro na Amazon, e a de quem tenta interagir com o setor público. No setor público – seja para pagar impostos, solicitar bolsas de estudo ou benefícios do Seguro Social –, essa experiência envolve a apresentação de formulários de papel e a espera em filas ou ao telefone.

Parte do que estamos tentando fazer é redesenhar os sistemas e os processos de back-end para assegurar que a experiência do povo americano com o governo se aproxime da sua experiência com uma empresa do setor privado.


Se partirmos do princípio de que grande parte dos problemas do governo está no serviço de atendimento ao público, como a tecnologia poderia ajudar?

Infelizmente, muitas pessoas consideram reservas de hotel ou compras de livros via internet como uma forma trivial de aplicativos de atendimento ao cliente. O que elas não percebem é a complexidade desses sistemas de back-end. O governo não acompanhou a inovação, porque não sofre a mesma pressão darwiniana que você vê no setor privado. Parte do nosso empenho é garantir o fechamento do gap tecnológico.


E você conseguirá isso colocando os bancos de dados do governo na internet?

Isso é parte da tendência maior do que está acontecendo on-line. Veja o YouTube e a Apple. Mas o YouTube não saiu por aí criando todos aqueles vídeos. O site essencialmente construiu a plataforma; todo o conteúdo foi terceirizado. Com a Apple é a mesma coisa -a empresa não criou os aplicativos mais inovadores que você encontra no iPhone, eles também foram terceirizados.

Da mesma forma, o que tentamos fazer é descobrir como nos aproximar do governo como plataforma. Podemos usar a engenhosidade do povo americano e o habilitar para resolver alguns dos problemas e desafios mais difíceis que enfrentamos como país. Reconhecemos que o governo federal não tem o monopólio das melhores idéias, e que as melhores idéias não necessariamente estão circunscritas a Washington.

Qual foi o resultado até agora?

O Data.gov foi lançado há cerca de um ano com 47 datasets (conjunto de dados). Hoje, tem mais de 272 mil.

Mais importante que isso, temos estimulado os inovadores, os desenvolvedores e as organizações de defesa dos consumidores a usar esses dados de três formas: primeiro, para manter a transparência do governo; segundo, para criar novos aplicativos; e terceiro, para descobrir inovações no cruzamento de múltiplos datasets.


O que você quer dizer com "inovações no cruzamento de múltiplos datasets"?

Bem, como na vida, o verdadeiro valor está na intersecção de múltiplas disciplinas. Veja a música e a matemática. O mesmo acontece com dados.

Um exemplo muito simples: no ano 2000, o Ministério da Defesa decidiu parar de criptografar os dados de geoposicionamento por satélite; isso essencialmente originou a indústria de GPS. Na época, ninguém imaginaria poder ir a uma locadora de carro e, por cerca de dez dólares, alugar um aparelho GPS.

O mais interessante é que, agora, podemos combinar os dados em tempo real do GPS com dados de crimes ou de assistência médica. De repente, os cidadãos obtiveram melhores serviços, maior insight sobre como funciona a sociedade, e um governo apto a servir o povo americano de forma mais inteligente.
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