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13 de fevereiro de 2008
Casamento em família?
Estudo que analisou dados coletados ao longo de mais de 200 anos revela que casais formados por primos de terceiro grau têm maior sucesso reprodutivo
por Nikhil Swaminathan
Sucesso familiar: cientistas descobrem que casais compostos por primos de terceiro e quarto graus têm mais filhos que casais com grau de parentesco maior, assim como aqueles formados por parentes mais distantes
Não é bem incesto. E apesar de aumentar as chances de dar à luz um bebê saudável, é um pouco heterodoxo, para dizer o mínimo. Mesmo assim, cientistas da empresa de biotecnologia deCODE Genetics, na Islândia, dizem que quando primos de terceiro ou quarto grau procriam, geralmente têm montes de filhos e netos (em comparação a outras “combinações”).

Há muito se estuda como o parentesco influencia o sucesso reprodutivo. Pesquisas anteriores revelaram correlações positivas, mas os dados biológicos têm sido encobertos por fatores socioeconômicos (como a média de idade para se casar e de número de filhos) em populações em que o casamento consangüíneo é comum, como na Índia, Paquistão e Oriente Médio. O novo estudo, no entanto, conseguiu jogar alguma luz sobre a razão biológica para os resultados obtidos anteriormente.

Os cientistas tiraram suas conclusões após estudar o registro de mais de 160 mil casais islandeses, com homens e mulheres nascidos entre 1800 e 1965. “A vantagem de usar esses dados está no tamanho reduzido da população islandesa, que também é uma das sociedades mais socioeconômica e culturalmente homogênea do mundo, com pouquíssima variação do número de membros de uma família e das práticas do casamento e uso de contraceptivos, em comparação a populações estudadas anteriormente”, afirmam os pesquisadores na revista de divulgação científica Science.

Os resultados do estudo exaustivo são constantes em todas as gerações analisadas. Mulheres nascidas entre 1800 e 1824 que se casaram com um primo de terceiro grau tiveram uma média significativamente mais alta de número de filhos e netos (4.04 e 9.17, respectivamente) que aquelas que juntaram os trapinhos com alguém com parentesco mais distante que um primo de oitavo grau (3.34 e 7.31). Essas proporções se mantiveram entre mulheres que nasceram mais de um século depois, quando os casais já estavam, em média, tendo menos filhos.
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