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Casas de criptomoedas surgem com novas regulamentações

Problemas de confiança afetam o Bitcoin e outras moedas digitais. 

Larry Greenemeier
Zach Copley/Flickr
Os Estados Unidos têm abordado a regulamentação de criptomoedas com cautela, enquanto 80% de todo o volume de Bitcoins é trocado com base no yuan chinês, de acordo com relatório da Goldman Sachs.
Imagem cortesia de Zach Copley, via Flickr
Criptomoedas digitais – incluindo Bitcoin, Litecoin e dúzias de outras – lutam para conseguir aceitação pública nos Estados Unidos. Mas o interesse no chamado “dinheiro da Internet” não está desaparecendo, e por isso legisladores estão desenvolvendo regras que, esperam eles, possam evitar uma repetição do que aconteceu ao Mt. Gox no ano passado, quando a maior casa de câmbio de bitcoins do mundo foi inesperadamente fechada após perder centenas de milhares de bitcoins em um ataque cibernético.

O governo dos Estados Unidos preferiu ficar de fora, permitindo que estados regulassem trocas de criptomoedas digitais. As casas de câmbio, que têm nomes como BitPay e Coinbase, são websites para comprar, vender e trocar moedas digitais. O bitcoin e seus semelhantes recebem o nome de “criptomoedas” porque usam criptografia para garantir transações e para cunhar novas moedas virtuais. 

Mais de doze estados, além de Porto Rico [território dos Estados Unidos], já emitiram licenças para trocas de bitcoins, que representam a maior parte das transações de criptomoedas do mundo. A Califórnia está trabalhando nos detalhes de seus próprios guias de licenciamento, e o Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York pretende finalizar seu conjunto de regras, o BitLicense, nas próximas semanas. Outros países também estão tendo problemas com o status de legalidade dessas moedas. O Reino Unido, por exemplo, recentemente anunciou que policiaria moedas digitais ao aplicar regras contra a lavagem de dinheiro sobre essas negociações.

Regulamentações são vantajosas para a troca de criptomoedas, explica Campbell Harvey, professor de finanças da Duke University. As regras produzirão uma sensação de legitimidade que deverá ajudar a reduzir a volatilidade que mantém empresários e investidores fora das negociações. A volatilidade ocorre porque pessoas veem moedas virtuais como algo que opera fora da lei, adiciona Harvey.

A Coinbase é licenciada em 16 estados e alega que outros oito estados – incluindo Califórnia e Nova York – permitem acesso a seu website sem exigir licença. Parte do sucesso da Coinbase se deve ao fato de ela permitir trocar dólares americanos por bitcoins e vice-versa, uma característica importante devido ao valor flutuante das bitcoins. Atualmente, um único bitcoin vale cerca de US$250; há alguns anos, eles eram negociados a mais de US$1.100 por unidade.

Cameron e Tyler Winklevoss, investidores de risco mais conhecidos por sua batalha legal com Mark Zuckerberg sobre a origem do Facebook, estão aguardando regulamentações de licenciamento para sua casa de câmbio Gemini Bitcoin, localizada no estado de Nova York. Durante a conferência South by Southwest Interactive em Austin, no Texas, que ocorreu no mês passado, os irmãos explicaram que a Gemini será um local de compra e venda de bitcoins, semelhante à NASDAQ, que permite que investidores troquem ações. O Bitcoin é o arauto da sociedade sem moeda (cashless society) que existirá em 2025, declaram eles, adicionando acreditar tanto na criptomoeda que atualmente detêm 1% dos mais de 14 milhões de bitcoins do mundo.

O bitcoin opera em uma rede peer-to-peer  [P2P no ‘jargão’ da internet] que consiste de computadores usados por pessoas conhecidas como “mineradores”. Seus computadores são configurados especificamente para verificar a validade de transações e registrá-la em um sistema público chamado de “blockchain”. O primeiro computador a resolver o problema criptográfico que acompanha cada transação angaria bitcoins para seu minerador. Outros computadores da rede verificam a solução, criando uma redundância projetada para evitar fraudes nas negociações. Uma vez inserida na blockchain, uma transação não pode mais ser deletada ou modificada. A ideia por trás da blockchain é evitar transações fraudulentas. E a natureza peer-to-peer da rede de Bitcoins significa que não há bancos ou câmaras de compensação para cobrar grandes taxas sobre as transações.

Ainda que o Apple Pay, o Paypal e outros serviços de pagamentos digitais sejam melhores em relação a cartões de créditos e outras opções online, eles não são uma tecnologia “disruptivas” como a Bitcoin Network, declarou Cameron Winklevoss durante a SXSW.

Apesar desses elogios, trocas de bitcoin continuam sendo uma proposta arriscada. A casa de câmbio Buttercoin, uma start-up, será fechada em 10 de abril por não ter conseguido reunir financiamento suficiente. Nem mesmo o apoio de grandes investidores como Y Combinator, Google Ventures e do co-fundador do Reddit, Alexis Ohanian, foi suficiente para manter as portas abertas. Parte do problema é a história de volatilidade dessa tecnologia, além de permitir atividades cybercriminosas como a Silk Road, o famoso mercado de drogas ilegais.

Os Estados Unidos terão muito trabalho pela frente se bancos e empresas americanas decidirem participar da criptomoeda – 80% de todo o volume de Bitcoin é trocado com base no yuan chinês, de acordo com o relatório de 10 de março da Goldman Sachs. O relatório estima que mais de 100 empresas de todo o mundo – incluindo Overstock.com, TigerDirect.com e Expedia – aceitem bitcoins como pagamento.

Um sinal de que essas empresas não confiam completamente suas finanças a criptomoedas, porém: muitas convertem esses pagamentos em moedas mais estáveis, em vez de mantê-las na forma de bitcoins. 

 

Publicado por Scientific American em 8 de abril de 2015.