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Cepa de E. Coli Relacionada a Tumor em Ratos

Bactéria encontrada no intestino de roedores com doença inflamatória intestinal danifica DNA e aumenta risco de câncer colorretal

Ewen Callaway
USDA.gov
Alguns micróbios presentes no intestino humano podem contribuir para a obesidade e aumentar o risco de doenças como o diabetes. Agora pesquisadores relataram que esse microbioma tem relação também com o câncer.

O estudo, publicado na Science, mostra que ratos com doença inflamatória intestinal têm altas proporções de bactérias produtoras de toxinas que podem levar ao câncer colorretal. Além disso, os pesquisadores observaram que pessoas com o tumor eram mais propensas a abrigar essas bactérias que pessoas saudáveis.

As descobertas sugerem uma área mais ampla para a pesquisa oncológica. Como o microbioma encontrado em outros pontos do corpo também poderia desencadear tumores, entender o processo ajudaria a prevenir a doença, acredita Jeffrey Pollard, microbiólogo da Escola Albert Einstein de Medicina em Nova York, que não se envolveu no último estudo.

Perigo comum

Há décadas pesquisadores sabem que micróbios podem provocar câncer: muitos vírus transformam células infectadas em cancerosas para disseminar seu material genético. A bactéria patogênica Helicobacter pylori é a causa da maioria das úlceras peptídicas, que podem originar tumores estomacais. A pesquisa, porém, indica que uma cepa normalmente inofensiva de Escherichia coli, uma bactéria intestinal comum, pode provocar câncer quando o intestino está inflamado.

Pacientes com doenças inflamatórias intestinais desenvolvem câncer colorretal a taxas bem maiores que pessoas com problemas estomacais. Pesquisadores atribuíram o fato a moléculas que danificam o DNA, produzidas por células imunes intestinais que são bastante ativas nessas doenças, mas o último trabalho sugere que bactérias são fundamentais.
Christian Jobin, microbiólogo da University of North Carolina, em Chapel Hill, que liderou o estudo, e sua equipe criaram ratos com uma mutação que os torna suscetíveis à doença inflamatória intestinal em gaiolas livres de germes. Em seguida os cientistas transferiram os roedores para gaiolas onde outros animais, que sempre conviveram com bactérias, viveram anteriormente. Conclusão: depois de cinco meses todos os ratos mutantes desenvolveram a doença intestinal – e 60 a 80% deles tinham câncer de cólon.

Os roedores geneticamente modificados desenvolveram também um microbioma intestinal diferente do de ratos normais, com uma proporção muito mais alta de E. coli. A E. coli NC101, principalmente, se destacou por estar ligada a formas agressivas da doença intestinal em ratos e produzir colibactina, uma proteína que danifica o DNA. Cepas de E. coli que não produziam colibactina também foram encontradas no intestino dos ratos mutantes, provocando a doença intestinal, mas não tumores colorretais, relataram os pesquisadores.

Para pensar

Muitos humanos também abrigam bactérias que produzem colibactina. Os pesquisadores as encontraram nas fezes de 20% de 24 pessoas saudáveis, 40% de 35 com doença inflamatória intestinal e 66% de 21 com câncer colorretal. Mas, de acordo com Jobin, como as bactérias produtoras de colibactina levaram ao câncer não está claro.

Ele levanta a hipótese de que a inflamação intestinal faz com que as cepas produtoras de colibactina se desenvolvam enquanto enfraquecem as células epiteliais que forram o intestino, tornando-as mais suscetíveis a danos no DNA. Jobin sugere que, se isso acontecer por tempo suficiente, uma célula se torna cancerosa.

Descobrir como isso funciona no intestino humano poderia ajudar a prevenir o câncer, adiciona ele. Médicos poderiam usar sequenciamento genético para examinar o intestino de seus pacientes em busca de genes para a produção de micróbios perigosos e, então, eliminá-los com antibióticos. Da mesma maneira, probióticos poderiam substituir bactérias que desencadeiam câncer.
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