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Cético quanto a mudanças climáticas vai liderar Agência de Proteção Ambiental durante transição

Escolha significa que Trump planeja mudar drasticamente as políticas climáticas

Agentes da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Crédito:FEMA Photo Library

Donald Trump escolheu um dos mais conhecidos céticos em relação à mudança climática para liderar sua equipe de transição nacional da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), de acordo com duas fontes próximas a sua campanha.

Myron Ebell, diretor do Centro de Energia e Meio Ambiente do conservador Competitive Enterprise Institute, está liderando os planos de Trump para a transição da EPA, segundo informaram as fontes.

 

A equipe de Trump também já escolheu quem liderará as equipes do Departamento de Energia e do Departamento de Interiores. O lobista republicano de energia, Mike McKenna, chefiará a equipe do Departamento de Energia; o ex-procurador do Departamento do Interior, David Bernhardt, está liderando os esforços neste órgão, segundo fontes próximas da campanha.

 

Ebell é uma figura polarizadora e bem conhecida na esfera de energia e meio ambiente. Sua participação na transição da EPA sinaliza que a equipe Trump está buscando reformular drasticamente as políticas climáticas que a agência estava seguindo na administração Obama. O papel de Ebell é, provavelmente, irritar ambientalistas e democratas e animar críticos das regras climáticas de Obama.

Ebell, que foi apelidado de “nerd elegante” e “sabe tudo de política” pela revista Vanity Fair, é conhecido por vários textos em que questiona o que ele chama de “alarmismo” sobre a mudança climática. Ele aparece frequentemente na mídia e diante do Congresso. Também chefia a  “Cooler Heads Coalition”, grupo sem fins lucrativos que “questiona o alarmismo em relação à mudança climática e se opõe a políticas de racionamento de energia”.

Ebell parece apreciar as críticas da esquerda.

 

Em um resumo biográfico que apresentou quando testemunhou diante do Congresso, Ebell listou entre seus “reconhecimentos” que havia aparecido no “Guia de campo sobre criminosos climáticos”, chamado de “desonesto” em relação à mudança climática pela Rolling Stone, tendo sido alvo de uma moção de censura da Câmara dos Comuns do Reino Unido, isto é,  a Câmara Baixa do parlamento britânico, depois de ter criticado o assessor científico chefe do governo britânico pelas suas análises sobre aquecimento global.

 

Mais recentemente, Ebell chamou o Plano de Energia Limpa para gases de efeito estufa da administração Obama de “ilegal” e disse que o fato de Obama ter participado do acordo climático de Paris “é claramente inconstitucional e uma usurpação da autoridade do Senado.”

 

Em 2007, ele disse à Vanity Fair: “Houve um pequeno aquecimento… mas foi bem modesto e dentro do que esperamos de uma variação natural, e se é causado ou não por humanos, não é nada para preocupar”.

 

As opiniões de Ebell parecem se alinhar com as de Trump no que diz respeito à agenda da EPA. O presidente recém-eleito chamou o aquecimento global de “baboseira” e disse que iria “cancelar” o acordo climático de Paris e desconsideraria as ações executivas de Obama relacionadas ao aquecimento global.

 

E, liderando a equipe do Departamento de Energia, o comparsa do Partido Republicano McKenna.

 

O presidente da MWR Strategies é bem conhecido nos círculos republicanos de energia. Ele foi diretor de políticas e relações externas no Departamento de Qualidade Ambiental de Virgínia durante o mandato do então governador republicano George Allen e foi especialista de relações externas no Departamento de Energia durante a administração de George H.W. Bush.

 

Seus clientes de lobby em 2016 incluíram a Koch Companies Public Sector LLC, Southern Company Services, Dow Chemical Co. e Competitive Power Ventures Inc., de acordo com informações tornadas públicas.

 

E, à frente dos esforços de transição do Departamento de Interiores, está Bernhardt, copresidente do Departamento de Recursos Naturais no escritório de advocacia Brownstein Hyatt Farber Schreck.

 

Ele trabalhou como procurador do Departamento do Interior durante a administração George W. Bush, depois de ter passado por outros cargos do topo do mesmo departamento.

 

Além da liderança de equipes da EPA, Departamento de Interiores e Energia, o especialista republicano em energia, Mike Catanzaro, também atuará nas políticas de energia para a equipe de transição de Trump.  

 

Durante a transição Obama em 2008, uma equipe relativamente pequena foi reunido antes da eleição para mapear objetivos políticos mais amplos.  

 

Depois da eleição, a operação aumentou drasticamente e equipes foram enviadas para trabalhar fora das agências para coletar informações de funcionários políticos e funcionários de carreira, escrever montes de memorandos e compilar grossas pastas de informações a serem entregues à liderança que assumia.

 

Com a vitória de Trump, Ebell, McKenna e Bernhardt provavelmente liderarão os esforços para reformar seus respectivas órgãos.

 

Ebell e McKenna encaminharam perguntas sobre os papéis que desempenharão à equipe de transição de Trump. A campanha de Trump e Bernhardt não respondeu a nossos pedidos de comentários.

 


Robin Bravender, do ClimateWire

Republicado do ClimateWire com permissão do Environment & Energy Publishing, LLC. A E&E fornece cobertura diária de notícias essenciais sobre energia e meio ambiente através do site www.eenews.net. Clique aqui para a publicação original.

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