Sciam


Clique e assine Sciam
Notícias

Chimpanzés da Tanzânia ameaçados de extinção

A população de chimpanzés da Tanzânia foi dizimada em mais de 90%. Dos 10 mil animais existentes há alguns anos, hoje restam apenas 700

John Platt
via Stock.xchng
A Tanzânia é um dos poucos habitats naturais do chimpanzé oriental (Pan troglodytes schweinfurthii), uma das quatro subespécies do chimpanzé comum. Embora seja o mais comum dos grandes macacos ─ depois dos seres humanos ─, todas as populações desse primata estão em declínio e os animais considerados ameaçados foram incluídos na lista vermelha da União Internacional para a Preservação da Natureza e dos Recursos Naturais, (IUCN, na sigla em inglês).

Um relatório da Administração de Parques Nacionais da Tanzânia revela que o reduzido número, apenas 700 animais, coloca os chimpanzés em segundo lugar entre as espécies ameaçadas no país, atrás apenas dos rinocerontes.

A entidade apontou doenças e atos predatórios – de seres humanos e outros mamíferos – como causas das perdas significativas. E como se concentram em apenas duas reservas, eles se tornam altamente suscetíveis a epidemias que dizimam a população.

Paralelamente, a economia tanzaniana é muito dependente da agricultura e da mineração, atividades que a lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN destaca como a principal razão do declínio populacional desses primatas em toda a África.
Em recente pronunciamento, Gerald Bigurube, diretor-geral dos Parques Nacionais da Tanzânia (Tanapa, na sigla em inglês) revelou que 600 chimpanzés vivem atualmente no Parque Nacional de Mahale; número superior a qualquer outro lugar. Outros 100 animais habitam o Parque de Gombe. No entanto, como esses primatas são suscetíveis a doenças ─ incluindo as que afetam seres humanos ─ e são perseguidos por um grande número de predadores, os chimpanzés estão desaparecendo rapidamente. No passado, a Tanzânia abrigava até 10 mil desses animais, mas agora, o acelerado declínio para menos de mil é alarmante.

O diretor-geral reforçou a importância de garantir a segurança dos chimpanzés por meio de serviços veterinários adequados, nutrição e proteção, para evitar seu desaparecimento, como aconteceu com os rinocerontes, que a Tanzânia tanto luta para recuperar.

Bigurube se manifestou, ao receber um grupo de três paquidermes trazidos da República Tcheca, para aprimorar o plantel na estação de criação do Santuário de Rinocerontes Mkomazi que agora conta com nove rinocerontes negros.

“Com exceção dos chimpanzés, a Tanzânia não corre risco de perder outras espécies de vida selvagem e nenhuma delas desapareceu por completo na história dos animais, a menos dos dinossauros, cujos fósseis foram descobertos nas proximidades de Tabora”, observa Bigurube.

No entanto, os chimpanzés são ameaçados por inúmeros predadores, entre eles, todos os mamíferos carnívoros, répteis e alguns grupos humanos. Além disso, eles são vulneráveis a todos os males que atingem animais selvagens e os humanos. A primatóloga britânica Jane Goodall dedica praticamente todo o seu tempo à defesa dos chimpanzés e ao meio ambiente. Ela também participa do conselho do maior santuário de chimpanzés do mundo fora da África, o Salve os Chimpanzés, em Fort Pierce, na Flórida.

O trabalho de Goodall foi fundamental para a compreensão do aprendizado social, do pensamento cognitivo e da cultura entre os chimpanzés e seus estudos contribuíram para incluí-los, juntamente com os gorilas, no grupo dos hominídeos.

Um dos grandes avanços das pesquisas de Goodall, no campo da primatologia, foi a descoberta de que os chimpanzés fazem ferramentas. Embora a utilização de “instrumentos” já tivesse sido observada em muitos animais, acreditava-se que apenas o homem era capaz de produzi-los. A capacidade de criar ferramentas foi considerada o diferencial decisivo entre seres humanos e outros animais. e essa descoberta convenceu diversos cientistas a reconsiderar sua definição de ser humano.