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Aposentadoria de chimpanzés de pesquisa nos Estados Unidos

Recomendação de conselho ao NIH propõe encerrar experimentos com sofrimento animal injustificável  

Meredith Wadman e revista Nature
Flickr/timparkinson
A maioria dos chimpanzés de pesquisa seria aposentada sob as novas recomendações
O National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos devem desmantelar uma colônia que tem décadas de idade e 360 chimpanzés, enviando todos os animais, com exceção de aproximadamente 50, para um santuário nacional, informaram à agência biomédica em 22 de janeiro, em um relatório há muito aguardado.

O relatório é de um grupo de trabalho de conselheiros externos da agência e também aconselha o NIH a encerrar cerca de metade dos 21 experimentos biomédicos e comportamentais em andamento, declarando que eles não se adequam aos critérios estabelecidos em um relatório de dezembro de 2011 do Instituto de Medicina (IOM).

“Haverá uma importante redução no uso de chimpanzés em pesquisa”, declara Kent Lloyd, co-diretor do grupo de trabalho e reitor associado de pesquisa da Escola de Medicina Veterinária da University of California, Davis.

O relatório propõe que o NIH comece a planejar a transferência dos animais para o santuário `imediatamente`, e que uma colônia de aproximadamente 50 animais seria suficiente para pesquisas futuras.

O relatório também estabelece grandes obstáculos para novos experimentos com chimpanzés no futuro, pedindo a instalação de um comitê independente que vetaria propostas individuais de estudo depois de elas passarem por revisões científicas de rotina do NIH.

Em casos em que o fardo sobre os animais é alto, o benefício à humanidade deveria ser “muito alto” para ser aprovado pelo comitê, explica Daniel Geschwind, o outro co-diretor do grupo de trabalho e geneticista da Escola de Medicina da University of California, Los Angeles. 

O relatório sugere que três dos nove experimentos invasivos em atividade, envolvendo imunologia e doenças infecciosas, poderiam continuar, porque eles estão de acordo com os critérios do IOM. Esses critérios exigem que um estudo seja necessário para a saúde pública; que nenhum modelo animal alternativo exista; que executar o estudo em humanos seja antiético; e que os animais sejam mantidos em habitats social e fisicamente adequados.

O relatório também declara que oito dos 13 estudos comportamentais ou de genômica comparativa poderiam receber permissão para continuar, mas em alguns casos apenas com limitações – o que significa que o financiamento para esses experimentos não poderia ser renovado sem passar pela revisão do comitê independente.

O grupo de trabalho – um subgrupo do Conselho de Conselhos do NIH, um órgão conselheiro trans-agências – recebeu permissão do diretor do NIH, Francis Collins, há um ano para aconselhar a agência sobre como aplicar as recomendações do relatório do IOM, que descobriu que a maioria das pesquisas com chimpanzés não era necessária.

Suas recomendações não são limitantes; Collins deve respondê-las no fim de março, após um período de comentários públicos de 60 dias. Mas eles sinalizam mais um passo significativo em uma redução constante.

No mês passado, a agência anunciou que transferirá 110 chimpanzés para o santuário nacional Chimp Haven em Keithville, na Louisiana, que seriam destinados a um centro de pesquisa apoiado pelo NIH em San Antonio, no Texas.

As recomendações atuais dizem respeito ao destino de mais 360 chimpanzés elegíveis para pesquisas que são propriedade da agência biomédica e ficam abrigados em instalações no Texas e no Novo México. O destino de outros 91 animais que o NIH mantém, mas não possui, não ficou claro; a agência não pode compelir a retirada desses animais, abrigados no Instituto de Pesquisa Biomédica do Texas (TBRI),em San Antonio.

Ativistas dos direitos animais deram boas-vindas ao relatório. “Um chimpanzé não deveria viver em um laboratório, da mesma forma que um ser humano não deveria viver em uma cabine telefônica”, declara Justin Goodman, diretor de investigações laboratoriais da PETA [Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais, na tradução oficial] em Washington, capital.

O TBRI, por outro lado, publicou uma nota dizendo que as recomendações do relatório “reduzirão a velocidade de avanços médicos urgentemente necessários para prevenir e tratar doenças humanas que afligem milhões de americanos, além de centenas de milhões de pessoas que vivem em outros países”.

De acordo com Alice Ra’anan, diretora de relações governamentais e políticas científicas da American Physiological Society em Bethesda, no estado de Maryland, ainda que o relatório do IOM considere a maioria das pesquisas com chimpanzés desnecessárias, “o outro lado da moeda é o seguinte: algumas são necessárias”. O relatório reconhece a necessidade que o NIH tem de manter uma pequena colônia de chimpanzés, aponta ela. “Precisamos de uma capacidade sustentável para o futuro”.

Este artigo foi publicado com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 23 de janeiro de 2013. 
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