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Chuva de hidrocarbonetos na misteriosa lua de Saturno

Titã, a maior lua Saturno, retém em sua atmosfera, enormes quantidades de metano, que também estão presentes em grandes lagos de sua superfície.

NASA/JPL/SPACE SCIENCE INSTITUTE
Foto de Titã e sua atmosfera enevoada
Exatamente como acontece em Marte a presença de compostos de duração relativamente curta em Titã levanta questões sobre sua origem. Na Terra, o metano provém, na maior parte, de processos biológicos; mas outros corpos celestes também podem ter diferentes fontes primárias que permitam a formação de hidrocarbonetos, como atividade geológica no subsolo.

Dados obtidos pela missão Cassini, da Nasa, continuam a fornecer pistas quanto ao funcionamento do ciclo do metano em Titã. Um artigo publicado na Geophysical Research Letters, no início do mês, detalha as últimas descobertas da Cassini, incluindo um vasto sistema de hidrocarbonetos (metano e etano) em lagos próximos dos pólos que parecem ser alimentados por precipitação sazonal de nuvens. Um dos lagos, descoberto no ano passado, tem área comparável à do lago Ontário (18.529 km2).

Uma outra análise realizada por Elizabeth Turtle, pesquisadora associada do Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins University, em Laurel, Maryland, utilizando imagens da Cassini, mostrou novas evidências da conexão entre a chuva de metano e as fontes que jorram de um lago na superfície de Titã.

O grupo de Turtle observou uma possível origem para a chuva. Utilizando imagens do Observatório Keck o grupo detectou o aparecimento de uma grande quantidade de nuvens sobre o pólo sul de Titã, em outubro de 2004. As imagens da Cassini também mostraram formação de nuvens acima da região polar sul nessa época. “Quando observamos as nuvens ao longo de algumas horas, notamos um comportamento convectivo, semelhante ao de formação de nuvens de tempestade na Terra,” segundo Turtle. Ela acrescenta que as formações escuras poderiam resultar de precipitação desse sistema de nuvens como um tipo de chuva.
O grupo de Turtle também examinou imagens da Cassini, obtidas em 2008, de latitudes norte de Titã, que ainda não tinham sido fotografadas pelo Subsistema de Imageamento da missão. Comparando imagens dos pólos sul e norte, os depósitos de metano líquido no hemisfério norte foram confirmados.

Pesquisadores acreditam que esses depósitos poderão aumentar durante o verão no hemisfério norte de Titã e nuvens carregadas poderão se precipitar como hidrocarbonetos líquidos sobre essa região.

A origem e mecanismos que sustentam as reações que abastecem a atmosfera de Titã com esses hidrocarbonetos ainda é uma questão aberta. Em escala de tempo geológica, o metano deve ser destruído por reações fotoquímicas, então alguma reação deve ocorrer para garantir seu reabastecimento.

Enormes quantidades de metano podem estar “escapando” da superfície de Titã. Uma possibilidade é que exista um oceano de água subterrâneo, onde estariam ocorrendo essas reações químicas. A partir desse cenário, pode-se supor que, apesar de remota, a possibilidade de Titã abrigar vida não está descartada.