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Cientistas americanos impedidos de trabalhar

Paralisação do governo federal afeta pesquisadores dos Estados Unidos

NIH
Centro Clínico do NIH - cientistas que estavam em reunião científica foram obrigados a voltar para casa
Por Sara Reardon e Nature News Blog

Pesquisadores de instituições federais americanas não só estão impedidos de acessar seus laboratórios durante a paralisação do governo, como também foram proibidos de viajar para participar de conferências.

Pesquisadores do National Institutes of Health (NIH), com sede em Bethesda, no estado de Maryland, que estavamem São Francisco, na Califórnia, participando de um simpósio sobre citocinas viram suas viagens interrompidas inesperadamente quando a paralisação do governo começou à meia-noite, no horário de Washington, de 1 de outubro. Assim que a notícia foi anunciada, as autoridades do NIH ordenaram aos pesquisadores em viagem que retornassem imediatamente “por quaisquer meios necessários”.

Os organizadores do evento remarcaram rapidamente a ordem das apresentações para que todos os funcionários do NIH pudessem proferir suas palestras antes que a agência fechasse oficialmente. “Eles nos disseram que dar uma palestra depois disso era um crime federal”, informou uma imunóloga do NHI que pediu que seu nome não fosse citado, porque não estava autorizada a falar com a imprensa.

Pesquisadores de institutos federais que participariam de outros simpósios, já marcados, não tiveram tanta sorte. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês), estava programado para dar a principal palestra em uma conferência sobre vacinas contra a AIDS, que teve dia 7 em Barcelona, na Espanha. Como o governo americano não voltou a funcionar em tempo, Fauci e outros pesquisadores de vacinas do NIH não puderam comparecer.

“É frustrante e constrangedor”, desabafou o imunólogo do NIH. Os organizadores da conferência da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA, na sigla em inglês), de2 a6 de outubro,em São Francisco, também tiveram que se apressar para substituir os palestrantes do NIH e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Aproximadamente 10% dos oradores do evento eram funcionários públicos.

Os organizadores conseguiram encontrar substitutos para muitos palestrantes do governo, mas a duras penas. Em uma sessão sobre a dificuldade de detecção da resistência aos antibióticos carbapenêmicos no laboratório, Stephen Jenkins, um microbiólogo clínico do Weill Cornell Medical College, em Nova York, substituiu Brandi Libmago do CDC. No entanto, ele teve apenas 24 horas para preparar sua palestra. “Montei minha apresentação nas primeiras horas da manhã do dia 4 de outubro”, informou, “mas fui capaz de usar muitos slides das lâminas de microscópio de Libmago”.

A ciência tem de prosseguir, mesmo enquanto o Congresso delibera. Como disse o presidente da IDSA David Relman, da Stanford University, na Califórnia, em sua introdução ao plenário de abertura. “Apesar da paralisação, os pacientes continuam a sofrer de doenças infecciosas”.

Com reportagens Sarah Zhang e Erika Check Hayden.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado originalmente em 4 de outubro de 2013.

sciam8out2013