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Cientistas defendem que Plutão volte a ter status de planeta

Nova definição aumentaria para cerca de 110 o número de planetas no Sistema Solar

NASA
O cientista Kirby Runyon, da Universidade Johns Hopkins, acredita que Plutão é um planeta, ainda que uma organização científica de prestígio diga o contrário.

E isso valeria também para Europa, comumente conhecida como uma lua de Júpiter, ele acrescenta. Isso também se aplica à Lua terrestre e a mais de outros 100 corpos celestes em nosso Sistema Solar que estão excluídos da definição atual de “planeta”.

A definição aprovada pela União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) em 2006 rebaixou Plutão a um “não-planeta”, assim fazendo cair o número reconhecido de planetas em nossa Sistema Solar de nove para oito. A mudança - um assunto de muito debate científico naquela época e até hoje - não fez sentido algum, diz Runyon, principal autor de um pequeno artigo que faz o argumento pró-Plutão e que estava agendado para ser apresentado nesta terça em uma conferência científica no Texas.

O gelado e rochoso Plutão era o menor dos nove planetas, com diâmetro menor que 3/4 da Lua e quase 1/5 da Terra. Mesmo assim, Runyon, que está terminando seu doutorado neste outono no Departamento de Ciências da Terra e do Planeta, diz que Plutão “abriga em sua superfície todas as características associadas a um planeta… Não há nada de ‘não-planetário’ nele”.

Runyon, cuja tese de doutorado se concentra nas mudanças de paisagem na Lua e em Marte, liderou um grupo de seis autores de cinco instituições para esboçar uma proposta de nova definição para o termo “planeta”, além de uma justificativa para ela. Ambas estão sendo apresentadas hoje na sessão de pôsteres da Conferência de Ciência Lunar e Planetária. O pôster estará exposto durante todo o dia na conferência, que é patrocinada pelo Instituto Lunar e Planetário, e Runyon estará presente por ao menos três horas para responder perguntas.

Os outros autores são S. Alan Stern e Kelsi Singer do Instituto de Pesquisa Southwest em Boulder, Colorado; Tod Lauer do Observatório Nacional de Astronomia Óptica em Tucson, Arizona; Will Grundy do Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona; Michael Summers da Universidade George Mason em Fairfax, Virgínia. Todos ou autores são membros da equipe de ciência na missão Novos Horizontes para Plutão, operada pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins para a NASA. No verão de 2015, a espaçonave da missão se tornou a primeira a voar sobre Plutão, distante cerca de 7,52 bilhões de quilômetros da Terra, observando-o a a 12,87 mil quilômetros e enviando de volta as primeiras imagens de perto já feitas do corpo celeste.

Runyon e os outros autores argumentam sobre uma definição de “planeta” que foque nas qualidades intrínsecas ao corpo, ao invés de fatores externos como sua órbita ou outros objetos ao seu redor. Eles definem um planeta como “um corpo de massa sub-estelar que nunca passou por fusão nuclear” e que possui força gravitacional suficiente para manter uma forma arredondada. (Mesmo que ele inche no equador por causa de um aperto de forças de três vias criado por sua própria gravidade e pela influência tanto de uma estrela quanto de um planeta maior próximo.)

Essa definição da proposta pela IAU, com três elementos, pois não faz referência aos arredores do corpo celestial. Essa porção da fórmula de 2006 da IAU - a qual exigia que um planeta e seus satélites se movessem sozinhos por suas órbitas - excluiu Plutão. Caso contrário, Plutão se encaixaria na definição da IAU: ele orbita o Sol e é grande o suficiente para que as forças da gravidades o fizessem redondo.

No passado, Stern, investigador principal da missão Novos Horizontes, argumentou que a definição da IAU também exclui Terra, Marte, Júpiter e Netuno, os quais dividem suas órbitas com asteróides.

A nova definição geofísica proposta omite estrelas, buracos negros, asteróides e meteoritos, mais inclui muito de todo o resto que há no nosso Sistema Solar. Ele aumentaria o número de planetas de oito para aproximadamente 110.

Essa expansão é parte do apelo da nova definição, diz Runyon. Ele explica que gostaria de ver o público mais engajado na exploração do Sistema Solar. Como a palavra “planeta” parece carregar um “peso psicológico”, ele imagina que mais planetas poderiam encorajar o interesse público.

A nova definição, que não precisa da aprovação de algum comitê central, também é mais útil para cientistas planetários. A maioria deles está intimamente ligada a geologia e outras geociências, fazendo, assim, a nova definição geofísica mais útil que a astronômica proposta pela IAU.

Ele tem razões para estar otimista, já que a nova definição foi adotada pelo Planet Science Research Discoveries, um website educacional fundado por cientistas da Universidade do Havaí, em Manoa.

“Quero que o público se apaixone como eu pela exploração planetária”, disse Runyon. “Isso fortalece o argumento pela exploração contínua”.

 

Johns Hopkins University
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