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Cientistas discutem a estranha mancha densa do Universo

As anomalias podem permitir novas interpretações

ESA e Colaboração Planck
Este mapa mostra a luz mais antigaem nosso Universo, como foi detectada com a maior precisão até agora pela missão Planck. Essa luz primordial, chamada de radiação cósmica de fundo, foi impressa no céu quando o Universo tinha 370 mil anos. Ela mostra minúsculas flutuações de temperatura que correspondem a regiões de densidades ligeiramente diferentes, que representam as sementes de toda a estrutura futura: as estrelas e galáxias de hoje. Imagem divulgada em 21 de março de 2013.

 
Por Clara Moskowitz e SPACE.com

Um estranho ponto denso no Universo repleto de uma quantidade surpreendente de matéria tem intrigado os cientistas desde que foi revelado em março em um mapa celeste feito pelo satélite europeu Planck.

Essa característica e outros mistérios nas observações podem apontar o caminho para novas teorias da física, afirmaram os cientistas que recentemente se reuniram para discutir as implicações das descobertas.

Três membros da equipe Planck responderam a perguntas do público sobre os dados obtidos pelo satélite durante um chamado “Hangout” (uma conversa ao vivo) do Google nesta quarta-feira, 31 de julho, patrocinado pela Fundação Kavli.

O satélite Planck mede a radiação muito antiga que permeia o universo, chamada de radiação cósmica de fundo (CMB, na sigla em inglês), que data de algumas centenas de milhares de anos. Essa radiação contém um registro de como o Universo era logo após seu nascimento no Big Bang e assim oferece um teste para as teorias sobre as origens do cosmos.

Em última instância acredita-se que a difusão da matéria pelo espaço decorra de ligeiras variações na densidade de energia do universo jovem que são evidentes como variações de temperatura nas microondas da radiação cósmica de fundo.

Em geral essas variações de densidade estão uniformemente espalhadas pelo céu, mas há um ponto anômalo especialmente denso que aparece nos dados como uma área particularmente fria.

“Isso é muito estranho”, disse George Efstathiou, professor de astrofísica na University of Cambridge, no Reino Unido, e diretor do Instituto Kavli de Cosmologia em Cambridge em uma declaração. “Acredito que se isso realmente quer dizer alguma coisa é preciso perguntar como ela se encaixa na chamada inflação cósmica... Isso realmente é intrigante”.

A inflação cósmica é uma das principais teorias que sugere que na primeira fração de segundo após o Big Bang o universo expandiu exponencialmente em tamanho.

“A teoria da inflação prevê que o universo atual deve aparecer uniforme nas maiores escalas em todas as direções”, explicou Efstathiou. “Essa uniformidade também deveria caracterizar a distribuição das flutuações nas maiores escalas dentro do fenômeno CMB. No entanto, essas anomalias, como o ponto frio confirmado pelo Planck, sugerem que esse não é o caso”.

Ao estudarem a região fria e outros mistérios na CMB, os físicos esperam conseguir discriminar as diferentes versões da teoria da inflação e, talvez, abrir a porta para novas teorias.

“Talvez ainda possamos eliminar essas anomalias por meio de análises mais precisas; por outro lado, elas também podem abrir a porta para algo muito mais grandioso — uma reavaliação de como toda a estrutura do Universo deveria ser”, declarou Krzysztof Gorski, um cientista colaborador do projeto Planck e pesquisador sênior no Laboratório de Jatopropulsão em Pasadena, na Califórnia.

Você pode ler uma versão editada da conversa (em inglês) em http://goo.gl/wzLruv

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 sciam1ago2013