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Cientistas planejam próxima grande marcha em Washington

Em apenas dois dias, mais de 300 mil pessoas passaram a fazer parte de um grupo no Facebook que planeja o evento

Faixa da Marcha das Pessoas pelo Clima de 2014 em que se lê "Para mudar tudo, são necessários todos".

Crédito: South Bend Voice via Flickr sob licença CC BY-SA 2.0

No último fim de semana, uma enorme massa de mulheres com chapéus cor-de-rosa se reuniram em Washington, a capital dos EUA, para a Marcha das Mulheres. O próximo grande protesto na cidade poderá envolver um mar de jalecos de laboratório (e provavelmente alguns chapéus rosa também).

Um grupo de pesquisadores propôs uma Marcha pela Ciência. O que começou como uma discussão na rede social Reddit rapidamente tornou-se um movimento.

Os organizadores criaram um grupo privado no Facebook  e uma conta no Twitter na segunda feira. Na quarta feira à noite, o grupo contava com mais de 300 mil membros e a conta no Twitter com mais 55 mil seguidores. Uma  página pública no Facebook conseguiu mais de 11 mil curtidas apenas cinco horas depois de ter sido criada. A apoio explosivo surpreendeu os organizadores, mas eles se encontrarão esse fim de semana para discutir os detalhes sobre a data e a declaração oficial e completa da missão.

A marcha seria a mais recente de uma série de ações tomadas por cientistas depois da eleição e a posse de Donald Trump como presidente. Seu governo tem sido amplamente visto como hostil à ciência — desde o período de transição, passando pelas audiências para os nomeados ao seu gabinete até o silenciamento de agências federais científicas essenciais e o congelamento de subvenções.

“Esse não é um problema partidário. Pessoas de todos os partidos e espectros políticos devem se alarmar quando essas ações para negar a ciência ganham força,” afirma Caroline Weinberg, uma pesquisadora médica que está ajudando a organizar a marcha. “A pesquisa científica nos faz caminhar para a frente e nós não devemos permitir que políticas asininas a ameacem.”

Pesquisadores estão falando mais abertamente sobre o valor da ciência e da política com base científica nos últimos meses. Geofísicos tomaram as ruas de São Francisco em dezembro passado durante o encontro anual da União de Geofísicos da América. Pesquisadores e bibliotecários estão correndo para salvar dados sobre a mudança climática dos websites federais.  E, mais recentemente, durante a inauguração de Trump, cientistas inundaram o Twitter com atualizações sobre como a ciência impacta as pessoas comuns.

A Marcha pela Ciência representa um próximo passo, com um enorme apoio e potencial de fazer a marcha de São Francisco, em dezembro, parecer pequena. Enquanto maiores detalhes ainda estão por vir, Weinberg ressaltou que cientistas e amantes da ciências de todas as disciplinas e contextos serão bem-vindos.

“Diversidade na ciência, tanto em relação aos pesquisadores que participam quanto nos assuntos que são tratados, é uma área crítica e negligenciada,” ela afirmou. “Nós pretendemos enfatizar a diversidade tanto no planejamento quanto na declaração da missão dessa marcha.”

O que quer que a marcha venha a ser, não será a primeira vez que cientistas saem para protestar contra o que vêem como políticas federais sem base científica. A Marcha das Pessoas pelo Clima de 2014 contou com a presença de 310 mil pessoas, aproximadamente, nas ruas de Nova York, incluindo um grande número de cientistas do clima.

Naomi Oreskes, historiadora científica da Universidade de Harvard, aponta que uma observação mais longínqua no passado revela outro exemplo marcante da organização dos cientistas.

“Foram os cientistas que se mobilizaram contra a corrida armamentista no final dos anos 50 e nos anos 60,” ela afirma. “Isso mostra como os cientistas se sentem neste momento. Essa é uma ameaça existencial.”

Brian Kahn, Climate Central

Este artigo foi reproduzido com permissão da Climate Central e publicado originalmente em 25 de janeiro de 2017.

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