[continuação]
No momento, o gerador virótico é fraco demais para fornecer qualquer quantidade prática de energia, apesar de os pesquisadores fazerem melhorias e afirmarem que não estão longe de um produto útil. “Se chegarmos a 50 ou 70 [nanoamperes], será hora da festa. A diversão vai começar”, entusiasma-se Ramesh.
Pesquisadores do Reino Unido também desenvolveram recentemente um gerador piezoelétrico, uma joelheira que reúne elétrons com o caminhar. Conforme o joelho do usuário se flexiona, quatro lâminas no dispositivo são “puxadas” e, em seguida, vibram como a corda de uma guitarra e produzem eletricidade.
Atualmente o dispositivo produz cerca de 2 miliwatts de energia, mas pesquisadores esperam atingir 30 miliwatts com algumas modificações.
Michele Pozzi, líder do projeto e pesquisadors de coleta de energia na Escola de Ciências Aplicadas da Cranfield University, declarou em um artigo que espera que o dispositivo custe £10 por unidade quando a produção for aumentada. As descobertas foram publicadas neste mês em Smart Materials and Structures.
Mas dá pra ligar uma televisão?
Ainda que os coletores de energia estejam no mercado, o grande obstáculo é conseguir o suficiente de energia utilizável para ligar um sensor, lâmpada ou tela. Isso significa produzir mais eletricidade do que o dispositivo precisa, para que assim ele tenha o bastante para armazenar e permanecer funcionando consistentemente.
“Em alguns casos, podemos coletar apenas um microwatt”, explicou David Freeman, tecnólogo-chefe da empresa de soluções energéticas Texas Instruments. “Se seu dispositivo só precisa de um microwatt, você não está fazendo nada por ninguém”.
Para a Texas Instruments, a solução é tanto produzir dispositivos que usam menos eletricidade quanto tornar os coletores mais eficientes.
“Foi só nos últimos três, quatro ou cinco anos que os [coletores] relataram energia suficiente para serem úteis e a energia dos dispositivos ficou baixa o suficiente para que eles funcionassem”, apontou Freeman.
Um possível uso para os coletores é a construção de sensores que podem monitorar a qualidade do ar. Operadores podem usar redes sem fio para coletar essas informações e aquecer ou resfriar ambientes. “O objetivo da maioria dessas aplicações é do tipo “abrir e fixar’”, explicou Freeman, ressaltando que o melhor local para um sensor é bem longe de quaisquer fios elétricos. Locais assim podem ser difíceis de alcançar, então trocar baterias frequentemente seria muito inconveniente, o que os torna usuários ideais de coletores.
Para esse fim, a empresa está produzindo circuitos integrados e microprocessadores que precisam de muito menos energia.
“Cada geração usa menos energia que a anterior”, destacou Freeman. “Conforme continuamos a reduzir a energia requerida por esses dispositivos, tornamos a peça coletora mais prática”.
De acordo com Freeman, a tecnologia coletora dominante é de pequenos painéis fotovoltaicos, já que coletores vibracionais e de rádio ainda não capturam energia suficiente para fazer funcionar tanto o sensor quanto o transmissor. Recentemente a empresa fez um protótipo de teclado sem fio que funciona a partir de luzes caseiras e sua bateria tem uma vida que está de acordo com o tempo de duração do dispositivo, de três a cinco anos. Além disso, a Texas Instruments está desenvolvendo sensores para monitorar equipamentos industriais e estradas, onde as frequências de movimento regulares podem ser mais adequadas a coletores vibracionais.
|