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Cigarro eletrônico induz jovens ao tabagismo

Adolescentes que experimentam dispositivos são mais propensos a começar a fumar

SHUTTERSTOCK
Lisa Rapaport, de Reuters Health

Um novo estudo mostra que jovens dos Estados Unidos que experimentam cigarros eletrônicos podem ser duas vezes mais propensos a avançar para cigarros convencionais do que aqueles que nunca usaram esses dispositivos. Essa é a conclusão de um estudo de pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, publicada em 18 de agosto na revista científica JAMA.

Os resultados apresentam algumas das melhores evidências até agora para estabelecer uma ligação entre e-cigarros e tabagismo, resumiu Nancy Rigotti, especialista em pesquisa de tabaco no Hospital Geral de Massachusetts e autora de um editorial que acompanha o estudo.

“Cérebros de adolescentes parecem especialmente suscetíveis a ficarem dependentes de nicotina quando expostos a ela”, declarou Rigotti à Reuters Health por e-mail.

Em abril deste ano, os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) informou que cerca de dois milhões de alunos do ensino fundamental e médio tinham experimentado e-cigarros em 2014, o triplo do número de usuários adolescentes em 2013.

Os dados dispararam alarmes entre os defensores do controle de tabaco, que temem que os e-cigarros criarão uma nova geração de dependentes de nicotina que poderiam acabar passando para o consumo de cigarros convencionais.

Grandes empresas de tabaco, como a Altria Group Inc., Lorillard Tobacco Co. e Reynolds American Inc, estão todas desenvolvendo e-cigarros.

Os dispositivos, ativados por bateria, apresentam uma ponta incandescente e um elemento de aquecimento que transforma nicotina líquida e outros “condimentos” em uma nuvem de vapor que os usuários inalam.

Uma revisão internacional de pesquisas publicadas, realizada pela organização Cochrane Reviews em dezembro, concluiu que os dispositivos eletrônicos de fumo poderiam ajudar fumantes a largar o vício, mas salientou que grande parte das evidências existentes sobre e-cigarros era pouco consistente.

No mais recente estudo, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia entrevistaram cerca de 2.500 alunos do ensino médio em Los Angeles sobre o uso do tabaco três vezes ao longo de um ano.

O trabalho começou no outono (boreal) da nona série, quando os alunos tinham mais ou menos 14 anos e não fumavam. De acordo com os pesquisadores, no início da pesquisa, 220 estudantes disseram que tinham experimentado e-cigarros.

Quando os alunos admitam usar cigarros eletrônicos, eles se mostraram mais que duas vezes mais propensos a relatar que fumavam cigarros convencionais ao longo do estudo. Paralelamente, a probabilidade mais que triplicou para o uso de narguilés e mais que quadruplicou para o consumo de charutos.

“Nossa pesquisa sugere que adolescentes que usam e-cigarros para fins recreativos podem ser mais propensos a avançar posteriormente para experimentar cigarros comuns e outros produtos de tabaco ‘fumáveis’”, declarou o autor principal do estudo Adam Leventhal, do Laboratório de Saúde, Emoção e Dependência da Universidade do Sul da Califórnia por e-mail.

Embora os resultados não sejam definitivos, Rigotti confirmou que eles ofereceram a primeira evidência em um estudo que observou a mesma população ao longo de certo tempo e mostraram que adolescentes que consomem cigarros eletrônicos são mais propensos a acabar experimentando cigarros convencionais do que os que não usam esses dispositivos.

Cigarros eletrônicos estão disponíveis para mais da metade da população mundial e podem gerar US$ 10 bilhões em vendas anuais até 2017, salientaram Andrew Chang e Michele Barry, da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, em um segundo editorial publicado com o estudo.

Crianças ou jovens que experimentam esses produtos podem ser mais propensos a se tornarem fumantes futuramente, alertou Chang; e elas também podem correr risco maior de overdoses acidentais de ingestão de fluidos de nicotina destinados aos cartuchos de e-cigarros.

FONTE: http://bit.ly/1WCd23T

JAMA 2015

Publicado em Scientific American em de 2015.