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Cigarros eletrônicos devem ter normas

A Organização Mundial de Saúde recomenda banir o consumo em ambientes fechados 

Por Dina Fine Maron

Mesmo na ausência de evidências científicas definitivas sobre os riscos potenciais do consumo de cigarros eletrônicos, regulamentos agora se tornam necessários para evitar preocupações com a saúde.

De acordo com um relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 26 de agosto, a utilização desses dispositivos em ambientes fechados deveria ser proibida.

A entidade afirma que “cigarros eletrônicos representam uma fronteira em evolução, cheia de promessas e ameaças para o controle do tabaco”. Os cigarros, que se tornaram muito populares em alguns lugares, suprem os usuários com uma substância aerossolizada, resultante do aquecimento de uma solução de nicotina que eles inalam.

Nos últimos nove anos, a indústria do e-cigarro (cigarro eletrônico) explodiu e atualmente inclui mais de 400 marcas em uma indústria de aproximadamente US$ 3 bilhões.

No entanto, os aromas que atraem jovens e crianças, a falta de controle de qualidade entre marcas e a aparente rápida experimentação entre usuários adolescentes (sendo que o consumo de e-cigarros duplicou nesse grupo entre os anos de 2008 a 2012) gerou temores crescentes de que esses dispositivos eletrônicos são a nova porta de entrada para o mundo das drogas.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) informaram em um relatório divulgado em 25 de agosto que mais de 250 mil jovens, que nunca fumaram cigarros tradicionais, usaram e-cigarros no ano passado. Isso representa um aumento de cerca de três vezes de 2011 a 2013.

O relatório da OMS cita diversas opções regulatórias que os países poderiam considerar, inclusive impedir fabricantes de cigarros eletrônicos de fazer alegações de saúde sobre os dispositivos sugerindo que eles são auxílios eficientes para quem quer parar de fumar (pelo menos até que isso seja cientificamente provado — se é que for provado); proibir seu uso em lugares públicos; e restringir a publicidade para os produtos.

Outras recomendações dos cerca de 100 cientistas e reguladores que contribuíram para o documento incluem sujeitar os dispositivos a mesma vigilância e monitoramento utilizados para produtos de tabaco, proibir a venda para menores de idade e, talvez, exigir advertências de saúde nas embalagens.

O aerossol dos e-cigarros “não é apenas um vapor d’água como frequentemente se alega na publicidade comercial desses produtos”, advertiu a OMS. A maioria desses dispositivos “não foi testada por cientistas independentes; mas os limitados testes revelaram grandes variações na natureza da toxicidade de seus conteúdos e emissões”.

Fatores como quanto tempo e com que intensidade os usuários inalam e-cigarros; a falta de uniformidade nas soluções aromatizantes dos produtos; o risco de que os usuários poderiam potencialmente sofrer uma overdose da nicotina encontrada no líquido — e até a possibilidade de que essa droga pode contribuir para outros riscos de saúde — precisam ser levados em consideração, argumenta a agência.

A OMS recomenda que fumantes que estão tentando parar de fumar deveriam primeiro procurar métodos testados e comprovados como o adesivo e o chiclete de nicotina, antes de optar pelos e-cigarros. O relatório de 13 páginas foi publicado em seis idiomas.

O documento da organização, encomendado pelo órgão executivo da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco, da OMS, foi publicado enquanto o governo americano continua lutando para decidir como abordará os dispositivos.

Em abril, o FDA, o órgão do governo americano para o controle de alimentos e medicamentos, propôs regulamentos para cigarros eletrônicos, que ainda não foram finalizados. Essas normas, se aprovadas, proibiriam jovens de comprar e-cigarros e exigiriam advertências de saúde nos produtos. No entanto, eles não proibiriam anúncios publicitários nem vendas on-line, o que, de acordo com críticos, permite acesso fácil aos dispositivos para menores de idade.

SA 26 de agosto de 2014

sciambr29ago2014