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Começa a funcionar o Grande Colisor de Hádrons

Com o choque frontal de feixes de partículas de altíssimas energias será possível reproduzir condições físicas presentes no Big Bang

Robert Evans
REUTERS/Denis Balibouse
Feixe inaugural percorreu hoje com sucesso o despedaçador de átomos.
Cientistas da Organização Européia de Pesquisa Nuclear (CERN) lançam hoje, feixe inaugural na imensa máquina despedaçadora de partículas, com o objetivo de reproduzir as condições do Big Bang que criou o Universo.

O Grande Colisor de Hádrons (LHC) é a maior e mais complexa máquina já construída e a plataforma para o que os especialistas consideram o maior experimento científico da história da humanidade.

Testes realizados dentro da câmara subterrânea, perfeitamente evacuada, localizada na fronteira entre a França e a Suíça, poderão desvendar segredos da física moderna que ainda permanecem e responder questões sobre o Universo e suas origens.

A inauguração da máquina de US$ 9 bilhões surge como um lampejo na tela da sala de controle do CERN ─ um feixe de partículas da espessura de um fio de cabelo percorrendo um túnel circular de 27 km de extensão.

“Conseguimos um feixe no LHC”! exclama Lyn Evans ─ líder do projeto ─ para seus colegas, que explodem em aplausos com a notícia.
Centenas de físicos e técnicos que se amontoavam na sala de controle, comemoraram ruidosamente outra vez, quando o feixe de partículas completou seu percurso em uma direção do acelerador, um passo fundamental que a porta-voz do CERN descreveu como “fantástico”.

Depois, os cientistas enviarão um feixe que percorre o LHC na direção oposta para testar se o caminho está desimpedido.

Se tudo estiver correto será possível enviar feixes nas duas direções simultaneamente para criar colisões de alta energia a velocidades próximas à da luz.

O último módulo do experimento Atlas ─ um dos quatro detectores do LHC ─ pesando 100 toneladas foi colocado na instalação subterrânea da Organização Européia de Pesquisa Nuclear (CERN), em Meyrin, perto de Genebra, em 29 de fevereiro de 2008.

O Atlas faz parte de cinco experimentos que, de meados de 2008 em diante, estudarão o que acontece quando feixes de partículas colidem no anel subterrâneo de 27 km de comprimento, no Grande Colisor de Hádrons (LHC). Atlas é um dos maiores projetos em colaboração já realizados em física. Dele participam 2100 físicos ─ incluindo 450 alunos de pós–graduação ─ de mais de 167 universidades e laboratórios de 37 países.
Tudo isso ainda vai demorar de um a dois meses”, diz o brasileiro Denis Damázio, do Laboratório Nacional Brookhaven, nos EUA, que trabalha no Atlas.

Cientistas do mundo todo estão impacientes para obter os primeiros dados com essas minúsculas “trombadas” entre partículas. Uma possibilidade é que elas possam criar matéria. Isso provaria a teoria que afirma que o “bóson de Higgs” seria o responsável pela matéria que “falta” no Universo.

O ardiloso bóson de Higgs é uma partícula teórica, também conhecida como a “partícula de Deus”. Recebeu essa denominação em homenagem ao físico escocês Peter Higgs que postulou pela primeira vez sua existência, em 1964.

A imprensa sensacionalista contribui para espalhar a falsa notícia de que o experimento pode criar anti-matéria ou buracos negros, estimulando um interesse público inusitado pela física de partículas antes de a máquina começar a funcionar. O CERN insiste em afirmar que essas notícias são infundadas.