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Conectividade Cerebral Prenuncia Habilidades de Leitura

Crianças poderiam se beneficiar de aulas personalizadas baseadas em tomografias

Mo Costandi e revista Nature
JGI/J. Grill/Getty
Habilidade de leitura de crianças parece estar ligada à força das conexões cerebrais
De acordo com uma pesquisa publicada hoje em Proceedings of the National Academy of Sciences, o padrão de crescimento de conexões de longo alcance no cérebro antevê o desenvolvimento das habilidades de leitura de uma criança. 

A alfabetização requer integração das atividades de áreas cerebrais envolvidas na visão, audição e linguagem. Como essas áreas ficam espalhadas pelo cérebro, a comunicação eficiente entre elas é essencial para uma leitura proficiente.

Jason Yeatman, neurocientista da Stanford University, na Califórnia, e seus colegas estudaram o modo como o desenvolvimento da habilidade de leitura se relaciona com o crescimento dos tratos cerebrais da massa branca, os feixes de fibras nervosas que conectam regiões distantes do cérebro.

Os cientistas observaram o desenvolvimento das habilidades de leitura de 55 crianças entre 7 e 12 anos por um período de três anos. Os resultados mostraram que além de haver grandes diferenças na habilidade de leitura dos participantes, essas disparidades persistiram – as que foram consideradas fracas em relação a seus colegas no começo do estudo continuavam assim três anos depois. 

Os pesquisadores examinaram também o cérebro de 39 das crianças pelo menos três vezes durante o mesmo período, para observar o crescimento de duas grandes vias de massa branca: o fascículo arqueado, que conecta os centros de linguagem do cérebro, e o fascículo longitudinal inferior, que liga os centros de linguagem com as partes do cérebro que processam informações visuais.  

Diferenças no crescimento de ambos os tratos poderiam prever as variações na habilidade de leitura. Bons leitores começaram com um sinal fraco nos dois tratos do lado direito do cérebro, que ficaram mais fortes nos três anos do estudo. Leitores mais fracos exibiram o padrão oposto.

Aprendendo com a experiência

O crescimento dos tratos de massa branca é governado pela poda, o processo que elimina fibras nervosas e conexões neurais estranhas; e pela mielinização, na qual fibras nervosas individuais nos tratos são envolvidas por um tecido gorduroso isolante que aumenta sua velocidade de transmissão. Os dois processos são influenciados pela experiência – fibras nervosas pouco usadas são podadas, enquanto outras são mielinizadas – de modo que ocorrem em taxas e momentos diferentes, em pessoas diferentes. 

“Nós achamos que o momento relativo da poda e da mielinização difere entre leitores mais hábeis e os com mais dificuldade”, declara Yeatman. “Em bons leitores, os dois processos são concomitantes e ocorrem a uma taxa constante. Em leitores fracos, a poda e a mielinização ficam fora de sincronia. Temos um crescimento rápido e precoce, e os tratos se desenvolvem antes [de as crianças] sequer começarem a aprender a ler”.

Para Cathy Price, neurocientista do University College London que estuda a fala e a leitura, o estudo sugere que a força da conectividade nos tratos pode ser usada para prever a habilidade de leitura na infância e nos anos da adolescência. As descobertas também poderiam ajudar pesquisadores a entender a relação entre a força das conexões e a habilidade de leitura.

Yeatman acredita que crianças podem se beneficiar de aulas de leitura que sejam adequadas a seus padrões de desenvolvimento cerebral. No futuro, pode ser possível determinar exatamente quando a poda está acontecendo – crianças podem achar mais fácil aprender a ler nessa fase do desenvolvimento, quando há um potencial maior para a remodelação cerebral. “Gostaríamos muito de encontrar uma maneira de prever quem terá dificuldades com a leitura antes das dificuldades aparecerem”, explica ele. 
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